18 dez 2010

Olhando para Jesus sabemos: o Pai está conosco!

João, inicia seu Evangelho, afirmando a eternidade do Verbo em Deus, sem origem, existia desde o princípio. Essa é a última realidade de Jesus. Mas como homem, qual é a origem do Senhor? Mateus e Lucas descrevem o início do homem Jesus de modo diferente, porém, essencialmente idêntico. Lucas apela ao testemunho da mãe, Maria. Mateus, pelo contrário, descreve a situação do ponto de vista do marido, José. Ambos os relatos convergem para a afirmação de que o concebido no ventre de Maria não tinha pai humano, de que a concepção foi um ato do poder do Espírito Divino. Esse mesmo Espírito, que pairava presente sobre as águas no início (cf. Gn 1,2), agora paira sobre a Virgem Maria para uma realidade que se parece com uma criação.

Jesus não é um homem qualquer; em Sua humanidade existe uma intervenção direta do poder de Deus. Ele tem uma mãe terrena, mas o Pai d’Ele (“meu Pai”, dirá Jesus) e vosso Pai, é o próprio Deus. Porém, essa permanência desde a concepção até Seu nascimento no seio de Maria O torna semelhante a nós em tudo. Se o primeiro homem foi feito espírito vivente pelo sopro divino, o segundo Adão, Cristo, foi feito homem pelo Espírito Divino, que transforma um óvulo humano em ser divino totalmente dependente da divindade. Será chamado Filho de Deus (cf. Lc 1, 35) ou Deus conosco.

É admirável a simplicidade da narração. Mas também é apreciável o modo como é efetuada: José conhece o caso pelas palavras do mensageiro de Deus, como num sonho. Este sonho implica uma duplicata da realidade que temos de conhecer, em profundidade, unicamente com os olhos e ouvidos interiores. Por meio de uma fé que depende de um relato humano, mas que unicamente aceitamos porque avaliado pela palavra divina.

A dúvida de José era se podia aceitar uma mulher que, em termos legais, era uma adúltera e, portanto, maculava o matrimônio de modo a atingir de forma pecaminosa o esposo, cuja infâmia, portanto, deveria ser extirpada. Aceitá-la era impossível. O meio de recusá-la era a dúvida principal dele. Como temos exposto, escolheu um método que a deixava fora de suspeitas adúlteras, mas que impediria a união matrimonial, porque nesse caso, como marido de uma mulher infiel, comparável a uma idólatra, estaria ele colaborando com o mal. O escrito de repúdio antigo, foi a forma escolhida por José. Não era preciso relatar causas, mas deixar claro que não deviam existir vínculos ulteriores. Tudo estava terminado.

A visão em sonhos declara os fatos e inocenta Maria. E mais: a eleva à categoria de especial escolhida por Deus para ser mãe do Salvador esperado. Existe um outro aspecto a ser tomado em conta: pede a José que atue como pai. Ninguém saberá o acontecido e todos pensarão numa concepção, gravidez e nascimento comuns.

José aceita o encargo e se torna pai –todos assim o pensavam- de um menino a quem põe o nome, o Salvador dos pecados de seu povo, não dos inimigos externos ou do poder estrangeiro, mas dessa ruptura essencial do homem com Deus que Cristo inicia a dissolver e da qual sempre será causa de anulação por meio da reconciliação. Era o antigo decreto de morte que acompanhava o afastamento do homem. Agora, por parte de Deus, todos somos filhos em Seu Filho. Por parte humana, individual, essa nova realidade é assumida particularmente por meio da fé e a conversão em que não é o homem quem dita a ética vital, mas o Homem Jesus quem a proclama no seu Evangelho.

Padre Bantu Mendonça K. Sayla

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