28 nov 2012

O testemunho nas perseguições é resultado do confiante abandono nas mãos de Deus

Jesus continua falando sobre as perseguições que os discípulos sofrerão. Estas advertências estão inseridas na fala de Jesus ao fazer o envio missionário. As provações dos discípulos de Jesus têm um alcance escatológico, isto é, anteciparão não só a destruição de Jerusalém, mas também a própria Parusia. Eles serão perseguidos tanto pelas sinagogas judaicas como por reis e governadores gentios.

Nos Evangelhos sinóticos, encontramos conjuntos de textos escatológicos com estilo apocalíptico, os quais prenunciam o fim dos tempos de maneira trágica com a volta do “Filho do Homem”. Este estilo literário reproduz a forma encontrada no Antigo Testamento, no qual, a partir do “Dia de Javé” – dia de terror para o mundo, porém, de glória para Israel – elaborou-se uma literatura apocalíptica.

A presença destes textos, no Novo Testamento, é o reflexo da antiga tradição das primeiras comunidades de convertidos do Judaísmo. Tais textos são encontrados, em bloco, nos “discursos escatológicos” em Mateus (cap. 24-25), em Marcos (cap. 13) e em dois discursos no Evangelho segundo Lucas. A invariabilidade das sentenças dos textos, nos três Evangelhos, leva a supor que os evangelistas recorreram às mesmas fontes de tradição, especificamente escatológicas.

O discurso escatológico em Marcos prioriza o prenúncio da destruição de Jerusalém, à qual é associada a vinda do Filho do Homem. No discurso escatológico de Mateus, as sentenças sobre a destruição de Jerusalém e sobre a vinda do Filho do Homem estão entremeadas.

Lucas, num primeiro discurso, destaca o tema escatológico da vinda do Filho do Homem (17, 22-37) e, em outro, retoma este tema a partir do tema da destruição de Jerusalém, incluindo também a perseguição contra os discípulos missionários (21, 5-36).

No início do ministério de Paulo havia uma expectativa da volta iminente de Jesus, a Parusia. Contudo, essa expectativa surtiu efeito negativo, na medida em que muitos passaram a viver uma vida ociosa e desordenada. Com o tempo, a expectativa da Parusia foi desaparecendo, dando lugar à consciência da presença atual de Jesus nas comunidades dos discípulos, que lutam por um mundo novo possível.

O testemunho nas perseguições e diante dos tribunais, não é resultado da eloquência, mas sim do abandono confiante nas mãos de Deus. O próprio Jesus é que dá ao discípulo as palavras adequadas a serem proferidas diante dos tribunais. Lucas tinha em mente o testemunho de Estevão e outros mártires.

As comunidades dos discípulos, comprometidas com a missão ao longo da história, têm vivido sob as diversas provações impostas pelos poderosos. A perseverança nas tribulações, suportadas em nome de Jesus, é o caminho para a vida.

Dai-me, Senhor, a graça da perseverança nas tribulações a fim de que eu tenha vida plena em Vós.

Padre Bantu Mendonça

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