24 nov 2012

O sentido de toda a criação é viver para Deus

A propósito de uma pergunta capciosa dos Seus adversários que negavam a ressurreição dos mortos, Jesus procura fazê-los compreender que, no mundo novo da ressurreição, as coisas estão fora e acima do nosso modo de pensar terreno. A ressurreição dos mortos pertence já a esse “mundo que há de vir” para além da morte, em que Deus vive como Deus de vivos, como Ele se tinha revelado no episódio da sarça ardente ao apresentar-se a Moisés como o Senhor dos que tinham vivido antes, mas que para Ele são sempre vivos, pois Ele é “o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó”.

Os saduceus, grandes proprietários de terras, formavam a elite dos sacerdotes. Não acreditavam na ressurreição e propuseram a Jesus um caso difícil para lhes mostrar que é absurdo crer na ressurreição. Jesus retifica a questão, mostrando que a vida ressuscitada não deve ser concebida como mera cópia da vida na dimensão presente. E os mortos, ressuscitam? Referindo-se à célebre forma “Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacó”, Jesus mostra que, sendo Deus dos vivos e da vida, também Abraão, Isaac e Jacó devem estar vivos com Ele. Com efeito, o sentido de toda a criação é viver para Deus, e essa vida não conhece fim, porque ruma para a plenitude sempre. O que está com Deus, está vivo para gozar a vida em abundância.

Os saduceus queriam embaraçar Jesus fazendo perguntas a partir da prática do levirato (cf. Dt 25,5-6). No livro do Deuteronômio, está ordenado que, no caso de um irmão falecer sem descendência, é a obrigação de um irmão do falecido casar-se com a viúva para dar o nome à família. Se, nessa prática, uma viúva casar sucessivamente, de quem será a mulher na ressurreição? Jesus mostra aos saduceus que as instituições pertencentes a esta ordem das coisas não continuarão pós-ressurreição. Em outras palavras, as instituições terrenas não continuarão no céu, que é o mundo da justiça plena, no qual está presente o Reino de Deus. Todas as instituições e poderes são transitórios e provisórios ainda.

A continuidade entre o “agora” e o “então” está em Deus e na Sua graça. Jesus faz excursão mais profunda no Pentateuco, lembrando-os do que Moisés disse a respeito do Senhor como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. A ressurreição é contrastada, por isso, pela imposição da morte; pelos determinismos e fatalismos da cultura, da religião, da política corrompida no sistema de pensar. A ressurreição é a dádiva da vida e vem de Deus. Assim, à luz da ressurreição, a vida é vista e vivida sob o poder da graça. Em Lucas, a ênfase recai na expressão: “não podem mais morrer” com referência aos filhos da ressurreição.

Padre Bantu Mendonça

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