28 out 2010

O que é a autoridade para Cristo?

Celebramos com toda a Igreja, no dia de hoje, a festa dos apóstolos São Simão e São Judas Tadeu. O Evangelho nos apresenta o chamado dos doze apóstolos e a autoridade que Cristo confia a eles, autoridade esta que se encontra presente até hoje e que se espalha em todo corpo místico de Cristo, que é a Igreja. Mas a pergunta é: que autoridade é esta? O que é a autoridade na Igreja?

Pelo batismo, quando nos tornamos filhos e filhas de Deus, em Jesus nos foi dada  certa autoridade de realizarmos aquilo que o Senhor realizou. E Ele nos diz: “Quem crer verdadeiramente em mim fará o que eu faço e fará obras maiores ainda” (Jo 14,12b). Todavia, precisamos entender o que significa esta autoridade na Igreja.

Falando de autoridade, logo nos vem à mente o que aconteceu na comunidade de Filipo. Essa comunidade  era muito querida e amada por São Paulo; é da prisão que o apóstolo escreve a Carta aos Filipenses, pois algo muito estranho começa a acontecer no interior desse grupo. A comunidade de Fipipo era um lugar onde os dons e os carismas eram vividos com muita intensidade, fidelidade e amor; a caridade, o temor a Deus e a vida fraterna são o cartão postal desta comunidade de fiéis. Todavia, aqueles de maior relevância, devido ao ministério no interior do grupo, começam a fazer disso não um motivo para servir, mas para se vangloriar, colocar-se acima dos irmãos. É nesse contexto que o apóstolo dos gentios escreve aos Filipenses, colocando, no capítulo 2, o que significa autoridade da Igreja, que é a autoridade de Cristo: “Cristo, sendo de condição divina, não fez disso um motivo de usurpação, mas assumindo a condição humana esvaziou-se fazendo-se igual a todos; por isso, Deus o exaltou.”

Por causa do pecado original, corremos sempre o risco de fazer como os fariseus e agir de modo pior do que eles, ou seja, conforme os nossos dons e talentos começam a aparecer na vida da comunidade, vamos nos sentindo maiores que os outros; vamos nos dando uma importância que é inexistente diante de Deus. As próprias pessoas vão enchendo “a nossa bola” até ela estourar, pois depois que estourar, não sobrará ninguém para juntar os cacos. Aliás, temos de admitir uma coisa: a maioria das pessoas não nos amam; elas se amam em nós. Enquanto temos algo para lhes oferecer, somos as pessoas mais amigas e queridas; mas quando só temos a nós mesmos para dar, e passamos a precisar dos outros, então, não servimos mais.

Em Cristo, pelo batismo, passamos a ser possuidores de uma autoridade: a autoridade de Cristo,  da Igreja, a qual foi demonstrada por Jesus Cristo no momento da instituição da Eucaristia, quando tomou uma toalha e uma bacia com água e foi ao encontro dos pés dos irmãos para servi-los. Jesus fez isso a fim de nos dizer que autoridade da Igreja, a qual todos temos, significa serviço gratuito de amor, entrega e oblação. Quanto mais doer na carne a vivência deste serviço,  tanto mais estaremos amando e, consequentemente, vivendo a autoridade.

Sirvamos, meus irmãos! Sirvamos com alegria. Não busquemos postos, status, grandes cargos, pois isso tudo passa. Busquemos viver a autoridade que já possuímos, aquela recebida de Cristo: o serviço; a começar por aqueles que menos terão a oportunidade de retribuir. “O maior dentre vós será vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado” (Mt 23,11).

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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