07 jan 2011

O poder de Deus está muito além da nossa fé

No episódio de hoje, aparecem bem claras duas atitudes: a do leproso e a de Jesus. Da parte do leproso a confiança e o desejo da cura: “Se queres, tens o poder de me curar”. Da parte de Jesus, a compaixão: “Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão e tocou nele”. Depois, a vontade de curar: “Eu quero, fica curado!” No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. Então o Senhor completa: “Vai mostrar-te ao sacerdote”! Para poder ser reintegrado na comunidade.

Esse gesto de Jesus não significa apenas a libertação de uma moléstia. Cristo faz mais: Ele toca no leproso. E tocar num impuro era contrair a impureza. Isto sim é que é amar! Contrair um mal para curar! Isso já havia sido profetizado por Isaías: “Era desprezado e abandonado pelos homens, um homem sujeito à dor, familiarizado com a enfermidade, como uma pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado não fazíamos caso nenhum dele. E no entanto, eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores ele carregava” (Is 53, 3-5 ). Ou seja: carregou a nossa lepra para nos curar na raiz do nosso ser!

Infelizmente, ainda existe muita lepra em nossos dias apesar de todo o progresso da medicina. Há os leprosos físicos e os leprosos morais. Os leprosos físicos são os banidos da nossa sociedade moderna: os que moram nas ruas, cortiços, favelas, passando fome, como aquelas famílias pedintes ao longo das ruas, os desempregados, os jovens drogados, as crianças prostituídas, os idosos abandonados, os contaminados com vírus do HIV. Os leprosos morais são, não os banidos, mas… os bandidos de nossos dias, os corrompidos e corruptores de todos os tipos, os egoístas de todos os matizes, os pecadores contumazes, os infiéis, os adúlteros que pregam a dissolução da família, os violentos, sequestradores, assaltantes e assassinos. Já pensaram num marido ao chegar em casa depois de cometer adultério? Ele deveria gritar como os leprosos: “Impuro! Impuro!”

Diante dos leprosos físicos Jesus age por intermédio de nós! Onde quer que haja falta de alimento, bebida, roupa, casa, medicamento, trabalho, instrução, saúde…aí deve a caridade cristã ir buscá-los, consolá-los, reerguê-los. Este é o grande testemunho que o mundo de hoje espera de você e de mim, como membros da Igreja que somos. É o que dizia o nosso Papa Bento XVI na recém-publicada encíclica “Deus é amor”: “O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais nada para cada um dos fiéis, mas é-o também para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus níveis: desde a comunidade local passando pela Igreja particular até à Igreja universal na sua globalidade. A Igreja também enquanto comunidade deve praticar o amor”.

Diante dos leprosos morais, Jesus quer curar pessoalmente. O problema é estes irem até Jesus e Lhe pedirem a cura, pedirem para ficarem limpos! Diante das “lepras” físicas, não hesitemos em pedir a Jesus: “Se queres podes me curar”.  No entanto, diante das “lepras morais”, hesitamos e, muitas vezes, não queremos que Ele nos cure… Mas Cristo quer nos curar. Basta nos arrependermos, nos ajoelharmos e, aos  pés d’Ele, pedir: “Senhor, se queres podes me curar”. E Jesus vai dizer: Quero, fica curado, mas vai apresentar-te ao sacerdote, confessa o teu pecado, para receberes o sinal do meu perdão no sacramento da Penitência.

Lucas viu, nesse homem, não apenas a enfermidade física, mas espiritual. Jesus o purifica dizendo: “Fica limpo, vai ao sacerdote” (verso 14). Uma decisão acertada. Aquele homem não se importou com o que haveriam de pensar acerca da sua presença ali, nem da sua condição física ou financeira, não estava preocupado se iriam repreendê-lo, e até expulsá-lo, o que ele queria era estar aos pés de Cristo. Que decisão acertada, buscou o Melhor para lhe receber o que ele precisava: além da cura física para a sua recuperação e restauração ao convívio, como também, a cura espiritual, por um ato de fé, de confiança.

Mas em quem confiar? Aquele homem não buscou outros mediadores, caminhos, simpatias, nada que lhe fosse passado; buscou o Senhor dos Senhores, Aquele que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Se aquele homem tivesse, por um instante sequer, uma indecisão, perderia com certeza a única chance de sua vida.

O poder de Deus está muito além da nossa fé. Porque o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza, Jesus Cristo quebra as barreias e nos dá a libertação. Basta inclinar-nos diante do Senhor, clamar e suplicar, para que na vontade do Senhor as coisas aconteçam, e por meio dos olhos da fé possamos ver o agir de Deus, pois o restante não está em nós, mas no Seu agir. Aquele homem não queria ser apenas curado, mas o seu desejo era ser purificado: “Se quiseres podes me purificar”. Jesus o curou e determinou, para a sua purificação, que procurasse o sacerdote, e oferecesse em sacrifício o que Moisés determinou (cf. Levítico 14).

Pai, que a oração me ajude a descobrir o verdadeiro sentido do serviço que presto ao Reino, de modo a coibir a tentação de ser contaminado pelo orgulho e pela soberba.

Padre Bantu Mendonça

Fonte: Retirado do Blog do padre Bantu


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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