04 maio 2011

O Pai envia o Filho unigênito por amor

O tema central do Evangelho segundo João é a presença do próprio Filho de Deus no mundo, para que este seja salvo por Ele. Jesus é o único que desceu do céu para dar a vida eterna a todos que crerem n’Ele.

A salvação, como foi projetada, está associada diretamente à redenção do homem, a qual equivale ao pagamento de um resgate por alguém escravizado e condenado graças à Encarnação do Verbo.

No prólogo do seu Evangelho, João nos mostra como Deus manifestou o Seu amor para conosco. A Palavra – que em Gênesis 1,1 criou todas as coisas, – veio habitar entre nós tomando a carne humana, pois a Encarnação do Filho de Deus se fez em um processo normal de gestação, embora a Sua concepção fosse por ação do Espírito Santo.

A condição humana é assumida por Deus desde o ventre materno de Maria. Em Jesus, o Filho de Deus, o humano se une ao divino e eterno. Quem crê em Cristo participa da Sua condição divina e eterna. Crer em Jesus é unir-se a Ele na prática da verdade, isto é, na prática de tudo aquilo que está conforme a vontade do Pai. É por isso que Lucas – descrevendo a vida da Igreja Primitiva – diz que os que abraçaram a fé tinham “um só coração e uma só alma”.

Quer dizer, o homem iluminado pela luz pascal se une totalmente a Cristo, que se fez um com o Pai, cumprindo e fazendo a Sua vontade. N’Ele se opera um contraste, porque, assim como Cristo vive, ele também viverá embora esteja ainda vivendo no seu corpo mortal. Estabelece-se, destarte os contrastes: vida e morte, luz e trevas frequentes no Evangelho segundo João. Trevas é ausência de luz. Aonde chega a luz, as trevas desaparecem. Assim também, a vida e a morte. Onde chega a vida, a morte desaparece. Na comunhão com Jesus, na prática da vontade de Deus, na verdade e na justiça, promovendo a vida plena para todos, goza-se da vida eterna.

Ao não encontrar na terra quem pudesse pagar, com a própria vida, o preço do resgate do homem de seus pecados, Deus enviou o Seu único Filho para que o fizesse, livrando, assim, a humanidade da condenação eterna. Desta forma, Deus dá prova do Seu amor para conosco: “Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5,8).

Senhor, dai-me uma fé viva que me faça abandonar as trevas do meu coração e da minha mente, a fim de que iluminado pela vossa Palavra eu não morra nos meus pecados, mas sim, tenha a vida eterna.

Padre Bantu Mendonça

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