28 maio 2010

O novo templo de Deus*

O evangelista João situa este episódio do templo – no começo da atividade apostólica de Nosso Senhor Jesus Cristo – diferentemente dos sinóticos (evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas), que o deixam para o final. Depois de purificar o templo à Sua maneira, expulsando os vendedores e cambistas, Jesus fala de si  como o novo templo para uma religião e aliança novas: “Destruí este templo e em três dias eu o levantarei… Ele falava do templo do seu corpo”. E os Seus discípulos assim o entenderam depois da Ressurreição de Cristo.

Como disse o Senhor à Samaritana, “aproxima-se a hora, e já está aqui, em que os que quiserem prestar culto verdadeiro adorarão o Pai em Espírito e verdade, pois o Pai deseja que lhe prestem culto assim”. Com o seu gesto “violento” Jesus declara abolidos o templo e o culto da antiga aliança, e descobre-nos o mistério da Sua Pessoa. Ele mesmo encarna o novo templo e a nova aliança, o novo culto e a nova religião, o novo caminho de acesso ao Pai e ao centro cultual do novo povo de Deus, a Igreja, casa de oração aberta a todos os povos.

Após a Ressurreição de Cristo, os apóstolos e os primeiros cristãos continuaram a frequentar o templo todos os dias, como o lemos nos Atos dos Apóstolos. Mas não tardou a chegar a ruptura já insinuada pela apologia do culto espiritual que o diácono Estêvão fez perante o sinédrio. Com a destruição de Jerusalém e do seu templo pelo imperador Tito (ano 70) e com a inimizade declarada da sinagoga judaica, que, a essa altura, excomungou os discípulos de Jesus, consumou-se a ruptura total da jovem Igreja com o templo de Jerusalém.

Todavia os primeiros cristãos não sentiam necessidade de construir outro novo [templo], pois celebravam o culto e a Eucaristia nas casas e na catacumbas. A princípio não houve templos, basílicas ou catedrais. Aqueles cristãos estavam conscientes, e devemos estar também nós, de que a assembleia de fé é a autêntica Igreja de Deus, o Seu santuário espiritual, prolongamento de Cristo, que é o Templo da Nova Aliança. Inclusivamente cada cristão, cada batizado, entra como pedra viva na construção do templo do Espírito; mais ainda: é templo de Deus porque o Espírito do Senhor habita nele.

Que o Senhor nos dê a graça de adentrarmos constantemente neste templo, que somos nós e, com a mesma força que Jesus empregou para expulsar os cambistas, venhamos a expulsar tudo o que está em nós que vem a macular este templo santo, que somos nós, onde o Espírito é o nosso Doce Hóspede.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia; p. 355-356. Paulus: 2000.

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