01 dez 2010

O milagre da cura é uma via de mão dupla

Jesus, ao percorrer o mar da Galileia, resolve subir a montanha e aí ficar com o Pai. É muito interessante percebermos que, biblicamente falando, a montanha, muito mais que um lugar geográfico, é o lugar do encontro com Deus; mas, para que possamos nos encontrar com Ele, é preciso nos encontrarmos com nós mesmos – já diziam nossos primeiros pais na fé, os Padres do Deserto.

Partindo do pressuposto de que para nos encontrarmos com Deus é preciso nos encontrarmos com nós mesmos, podemos entender a passagem do Evangelho de hoje, no qual muitos acorriam a Jesus, na montanha, para serem curados de suas enfermidades. Muitos eram coxos, ou seja, não conseguiam caminhar, pois lhes faltavam uma perna ou as duas pernas. Quantos de nós também nos encontramos coxos, pois não temos a coragem de caminhar em direção aos outros para servir, para nos dispor em ajudar e amar as pessoas. Estes coxos perceberam que o problema estava não nas pernas, mas no coração; quando resolveram sair de si, foram curados, pois a cura começou a acontecer à medida que saíram de seu mundinho e foram ao encontro dos irmãos para servi-los e amá-los.

Muitos eram aleijados, ou seja, eram paralíticos com relação à capacidade de ir e vir. O ódio, o rancor e o ressentimento travam as pessoas; isso é comprovado cientificamente; quantas pessoas paralíticas há– não por questões físicas – mas pelo fato de não perdoarem os outros; a falta de perdão trava as pessoas, fisica, emocional e espiritualmente; quem não perdoa fica paralisado.

Muitos eram cegos, ou seja, não conseguiam perceber os outros e suas necessidades, pois muito presos estavam em si mesmos, nos seus problemas, no seu mundinho, no seu egoísmo. Como é difícil enxergar as necessidades dos outros! Aliás, enxerga-se muito mal, pois só enxergam os defeitos e as dificuldades dos outros e da vida; não possuem um olhar de esperança, mas de pessimismo a respeito dos outros e da vida. Esta é a verdadeira cegueira.

Muitos eram mudos, ou seja, não conseguiam falar uma nova linguagem, a linguagem do amor; sua fala estava fundamentada na murmuração, na reclamação, no pessimismo, contaminando a audição de todos que conviviam com eles; chega a um ponto em que a pessoa fica completamente muda às coisas de Deus.

Muitos estavam surdos e mudos, ou seja, porque não escutavam, não falavam, não queriam escutar a Palavra de Deus, pois a atenção deles estava voltada para aquilo que é diabólico: seitas ocultas – ocultismo –, sociedades secretas, nova era, etc…

Cada um na sua enfermidade foram curados, porque fizeram a sua parte, ou seja, reconheceram sua miséria e foram até Jesus. Meu irmão, minha irmã: em qual enfermidade você se encaixa e precisa, diante de Jesus, renunciar e pedir perdão?

Quando nos encontramos nestas enfermidades, vamos morrendo de fome. Somente depois de renunciar a tudo isso é que o Senhor poderá nos dar o Pão da Vida, que é Ele mesmo.

A Eucaristia é um milagre e comungar é um milagre, cuja via é de mão dupla, ou seja, ou comungamos de verdade – permitindo que Cristo entre na nossa vida e nós na d’Ele – ou comungaremos a nossa própria condenação: Jesus entra em mim, mas eu não me deixo entrar n’Ele.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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