13 mar 2011

O mal sempre nos oferece atalhos

Estamos diante de um tripé de tentações que se resumem em: poder, prazer e posse. Depois que Jesus foi batizado por João Batista, foi levado ao deserto pelo Espírito para ser tentado pelo diabo. Que paradoxo: Deus Pai confirma a identidade do Seu filho, já o inimigo se aproxima e logo em seguida desafia o Mestre colocando em dúvida sua divindade.

Como vimos neste texto, Jesus inicia seu ministério com jejum, penitência e oração. Exercícios extenuantes e de grande esgotamento. O diabo aparece então para tentá-lo. Podemos perceber aqui que, esse momento, não se refere apenas às aflições normais do ministério. Há algo mais complexo que – creio eu – Jesus quer nos ensinar. Uma prova em particular. O dono da Salvação contra o pai da perdição. Vida contra a morte.

Essa guerra não foi só exterior, como vemos relatado, mas também uma luta interior. Jesus não enfrentaria somente perdas materiais, desprezos, oposições de religiosos, mas, também, confrontos espirituais.

A primeira tentação foi no deserto onde Satanás sugere a Cristo que as pedras se transformem em pão. Cristo teria poder de fazer isto. Se Ele transformou água em vinho, andou sobre as águas, fez paralíticos andar, ressuscitou mortos e acalmou tempestades, não poderia transformar pedras em pães? Com certeza, sim! Mas isto incluiria obedecer a Satanás e, em segundo lugar, teria “o alimento, o pão sem Deus”. Hoje isto significa conseguir riquezas sem Deus, trabalho desonesto, jogos de azar, burlar impostos, etc.

A segunda tentação foi a do pináculo do Templo onde foi sugerido malignamente que saltasse dali e desse ordem aos anjos para que o guardasse e isso com base num princípio bíblico. Satanás é sagaz e usa a Bíblia também. Mas o grande erro seria usar as coisas divinas ao seu prazer. Adaptar a Bíblia ao nosso gosto. “A fama ou prestígio sem Deus”. Um atalho para ser aclamado. Um reconhecimento fora de ordem. Foi uma tentativa maligna de “provar” o que não é necessária nenhuma prova.

A terceira tentação foi a do monte onde a glória deste mundo foi mostrada e ofertada, mas não gratuita e sim negociada. Ele poderia ter a glória deste mundo se prostrasse e adorasse a Satanás. Seria “poder ou governo sem Deus”. Se Jesus aceitasse, seria a glória do mundo sem a cruz, ou seja, sem Salvação. Hoje seria ter autoridade, reinar, subjugar, mas não sujeito a Deus e sim ao inimigo de Deus.

Mas Ele venceu as três tentações com três frases “está escrito”. Não foi o que o físico, as emoções e o lado espiritual queriam, mas sim o que havia sido escrito. A primeira resposta foi nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. As necessidades físicas não podem suplantar a obediência a Deus. A verdadeira vida está na dependência divina.

A segunda resposta foi de não tentar a soberania do Pai. “Não tentarás ao Senhor teu Deus”. Deus é bom demais para ser tentado por nós. É muita petulância da nossa parte, tentar ser “senhor” de Deus e não seu “servo”.

A terceira e última resposta nos coloca onde devemos sempre estar que é ser um exclusivo adorador de Deus. “Só o Senhor adorarás e só a Ele servirás”. Ele é único e exclusivo. Sua glória é irrepartível. Somente no reconhecimento de Deus e no esvaziamento nosso é que podemos encontrar a verdadeira vida espiritual.

Em todo esse relato, se analisado nos mínimos detalhes, podemos perceber inúmeros ensinamento para nós. Ao cumprir o “IDE” do Mestre com certeza seremos também provados. Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto. Isso mostra uma permissão da parte de Deus. O inimigo afronta Jesus com a própria Palavra. Ele também conhece as Escrituras.

Nossa vida espiritual deve ter também uma convalidação divina. Precisamos ter certeza de nossa missão no Reino de Deus. A preparação, a consagração (jejum) deve fazer parte de nossa vida espiritual. Termos consciência de que seremos tentados pelo inimigo e que isso será permitido por Deus. Em algum momento daremos de frente com ele e a Palavra de Deus deverá estar presente em nós, bem forte, para podermos vencer.

Seremos também levados ao deserto. Ou melhor, quando se trata de espiritual, vivemos no deserto. Contra o príncipe das trevas, não há diplomas, mestrados, doutorados, grandes currículos que poderá nos salvar. Embora nós, seres humanos, valorizamos muito isso – e não é errado, ao contrário se faz necessário – mas somente a certeza do que cremos e a Palavra de Deus poderá nos livrar e dar a vitória. Temos necessidades e fraquezas e é em meio de nossas fraquezas que o inimigo virá para nos contrapor. É necessário então intimidade com Deus e com Sua Palavra.

A grande lição das tentações de Jesus é que o mal sempre nos oferece “atalhos”. E são contra estes atalhos que devemos ter cuidado. Prazer (alimento, bebidas, sexo e drogas), Posse (fama, prestígios, o ter bens materiais) e Poder (governo) são coisas interessantes que mexe com o nosso físico, a nossa alma e o nosso lado espiritual. No entanto, nada disso terá valor para nós se for sem Deus. Qualquer coisa, por melhor que seja que nos afaste do Senhor, deve ser abandonado. Somente com Deus, na Sua presença e para a Sua glória, devemos viver. Jesus embora sendo o Filho de Deus, levava uma vida constante de oração. Ele nos ensinou como devemos orar. É na oração que alcançamos intimidade com Deus. Quanto mais oramos mais teremos certeza da Sua vontade.

Pai, como Jesus, quero ser fiel a Ti, sem jamais exigir manifestações extraordinárias de teu amor por mim. Basta-me estar ciente de ser teu filho.

Padre Bantu Mendonça

Fonte: Blog do Padre Bantu


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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