20 Jan 2008

O CORDEIRO DE DEUS Jo 1,29-34

O ministério de Jesus tem início a partir do seu batismo por João Batista. O evangelho de Marcos se inicia com as narrativas sobre João Batista. Os evangelhos de Mateus e Lucas inserem, antes das narrativas do batismo de João Batista, as narrativas de infância de Jesus. Já o evangelho de João, o mais tardio, escrito provavelmente na década de 90, começa com o Prólogo do Verbo encarnado, para, em seguida, passar às narrativas sobre João Batista. Neste Prólogo, o nome de João (Baptista) já é mencionado como “um homem enviado por Deus”, que “veio como testemunha para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele” (Jo 1,6-8). Quando se iniciam as narrativas sobre João Baptista, Jesus é mencionado, sem maiores apresentações: “No dia seguinte, João viu que Jesus vinha ao seu encontro…”. Cabe ao leitor entender que este Jesus é o Verbo que se fez carne, anunciado no Prólogo. João evangelista não se preocupa com a origem humana de Jesus, mas sim com sua origem divina.

Um dos fatos mais impressionantes sobre o Cordeiro do Apocalipse é que ele é um guerreiro vitorioso. Apesar da imagem comum de cordeiros como animais mansos e inofensivos, o Cordeiro de Deus é um forte vencedor, garantindo a vitória dos fiéis que estejam com ele (17:14). Por outro lado, aqueles que rejeitam o Cordeiro são punidos diante dele (14:10). No final do livro, os discípulos são chamados às bodas do Cordeiro, quando ele recebe sua noiva (19:7-9; 21:9). O Cordeiro se torna a lâmpada que ilumina a cidade santa. Eis o Cordeiro de Deus!

A expressão pode ter um sentido simbólico relativo aos cordeiros que eram sacrificados em oferta pela remissão dos pecados do povo diante dos sacerdotes do Templo. O próprio Jesus, que dedicou sua vida na libertação dos oprimidos, foi sacrificado pela iniciativa dos chefes religiosos do Templo de Jerusalém. A tradição da Igreja associou também o “Cordeiro de Deus”, sacrificado para a salvação do povo, com o Servo Sofredor do livro de Isaías, que, por seus sofrimentos, traria a salvação a muitos.

O Espírito que desce do céu e permanece sobre Jesus, no qual podemos ver uma alusão a um texto de Isaías (61,1), dá a Jesus o caráter do profeta que anuncia e promove a libertação dos oprimidos. Exprime também a confirmação do homem Jesus como assumido na natureza divina. A encarnação do Verbo não é apenas o assumir a natureza humana individualizada em Jesus, mas é ato em que Deus assume a condição humana em toda sua extensão, em todos seus valores, em seus sonhos, projetos e realizações, em tudo aquilo que é justo, bom e verdadeiro.

João Batista, cuja missão era preparar o caminho até Cristo, identificou a Jesus como o Cordeiro de Deus por orientação divina:  “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse:  Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!  É este a favor de quem eu disse:  após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim.  E João testemunhou, dizendo:  Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele.  Eu não o conhecia; aquele, porém que me eviou a batizar com água me disse:  Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.  Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus.  No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse:  Eis o Cordeiro de Deus!” (João 1:29-36).

Através dos séculos, o cordeiro tem chamado a atenção por sua natureza mansa.  Em seu espírito de humildade, Jesus personifica o cordeiro.  Vinte e oito vezes no livro de Apocalipse, João usa a palavra que descreve Jesus como cordeirinho.  Se tivesse ficado com desejo de vingança, poderia ter mandado descer 12 legiões de anjos para destruírem seus inimigos (Mateus 26:53).  Mas “ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23).

O cordeiro, notado pela mansidão, tipifica também a pureza.  O cordeiro oferecido em sacrifício não podia ter mancha nem defeito.  Quando Deus deu instruções referente à primeira Páscoa, a instrução foi:  “O cordeiro será sem defeito” (Êxodo 12:5).  Cristo, “o Cordeiro de Deus”, personifica maravilhosamente essa qualidade.  Pedro escreveu sobre o Cristo sem mácula S “Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:18-19).

A vida mansa e pura de Cristo nos leva à sua terceira semelhança com o cordeiro.  O cordeiro nascia para passar pela morte sacrificial, sendo o primeiro animal identificado com o sacrifício.  Abel ofereceu as primícias do rebanho (Gênesis 4:2-4).  O jovem Isaque disse ao pai Abraão: “Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gênesis 22:7).  Sob a lei de Moisés, ofereciam-se cordeiros diariamente, e em muitas ocasiões especiais também (Números 28, 29).  E, ainda assim, os animais, mesmo quando ofertados pelos mais consagrados, não podiam limpar o pecado.  “Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hebreus 10:4).

Na plenitude dos tempos, Deus providenciou um sacrifício melhor, sem mancha, sem defeito.  Os que cravaram esse cordeiro na cruz e lançaram a lança em seu lado não perceberam que estavam liberando o sangue que poderia limpar todo homem do pecado. “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”

Deus, em sua infinita sabedoria, tornou possível que tivéssemos acesso ao sangue do Cordeiro, precioso e capaz de expiar pecados, voltando-nos para a cruz, para a sua morte e para a fonte redentora ininterrupta.  “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte” (Romanos 6:3).

Na terra, o homem submeteu o Cordeiro à morte agonizante da cruz.  Gloriando-se de sua crueldade triunfante, “assentados ali, o guardavam” (Mateus 27:36).  No céu, onde predominam a verdade e a justiça, aclama-se a glória do Cordeiro.

“Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz:  Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (Apocalipse 5:11-12).

Aquele que foi desprezado pelas criaturas terrenas e adorado e louvado pelas celestes.  Aquele que foi visto pelas criaturas da terra como indigno da vida na terra, é visto pelas criaturas celestiais como o vencedor, o “Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Apocalipse 17:14).

Mas chegará o dia inevitável em que a graça de Deus dará lugar à justiça, quando os inimigos do Cordeiro clamarão para os montes e para as pedras:  “Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se” (Apocalipse 6:16-17).  O mesmo livro que identifica Cristo como o Cordeiro, também o identifica como o Leão (Apocalipse 5:5-6).

As advertências foram muitas.  “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4).  “Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).  Há uma diferença eterna entre:  “Vinde, benditos de meu Pai!” e:  “Apartai-vos de mim, malditos” (Mateus 25:34,41).

Nesta era, em que ainda persiste a graça, a sabedoria clama a todos os filhos de Adão para que vejam a Cristo e o adorem, como fez João: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”

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