13 abr 2011

O caminho da santidade é um caminho para a liberdade

No Evangelho de hoje, dentre tantas coisas que nos traça, está o caminho da santidade que passa pelo seguimento a Cristo. Fazer-se discípulo d’Ele, isto é, o caminho da santidade é, na realidade, um caminho na verdade e na liberdade. De fato, Jesus diz: “Se permanecerdes fiéis à minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos; conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á“. Propor a santidade de vida não é nada mais do que propor o caminho da verdade e da liberdade.

À luz da fé, a santidade é vida na verdade total, não limitada às realidades materiais ou apenas à vida terrena. Com efeito, o santo tem em consideração tanto os bens materiais como os espirituais; tem em consideração tanto a realidade terrena como a sobrenatural; contempla a própria vida não apenas na perspectiva temporal, mas também eterna. Em outras palavras, o santo vive na verdade, considerando todos os aspectos da própria existência.

O aspecto mais importante é que aquele que deseja a santidade abre-se a Deus, o Bem Supremo e a fonte da verdade. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Depois da Sua Morte e Ressurreição, prometeu que nos enviaria o Espírito Santo como “o Espírito de verdade” (Jo 16,13), que nos “guiaria à verdade total” (Jo 16,13). Rezou ao Pai pelos Seus discípulos: “Consagra-os na verdade. A tua palavra é verdade” (Jo 17,17). Diante de Pilatos disse: “Foi por isso que nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). Seguindo radicalmente a Cristo, caminhamos na verdade, na verdade total, na verdade que não desilude (cf. Rm 9,33).

A santidade de vida e a abertura à Graça ajudam-nos, na realidade, a compreender mais profundamente as verdades de Deus. São Paulo justamente escreve: “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus; para ele são loucura, e não é capaz de as compreender” (1 Cor 2,14). Ou ainda: “Todo aquele que peca não viu Deus nem o conheceu” (1 Jo 3,6). Não alcançamos a contemplação plena do rosto do Senhor unicamente com as nossas forças, mas deixando-nos guiar pela Graça. Só a experiência do silêncio e da oração oferece o horizonte adequado no qual pode maturar e desenvolver-se o conhecimento mais verdadeiro, aderente e coerente do mistério de Deus. Por esse motivo, com frequência, nos surpreende a compreensão perspicaz da verdade de Deus que os santos demonstram, mesmo os que não fizeram muitos estudos. Sim, o caminho da santidade é um caminho na verdade, na verdade total.

No Evangelho, Jesus diz também que “a verdade libertar-vos-á”. O Mestre Divino fala aqui da liberdade verdadeira, espiritual. Na realidade, o caminho na verdade, isto é, o olhar sobre todos os aspectos da nossa existência, ajuda-nos a encontrar uma justa escala de valores. Ajuda-nos, por conseguinte, a não nos tornarmos ou a permanecermos escravos dos bens materiais e das nossas concupiscências, dos vícios, do pecado, mas estimula-nos e torna-nos capazes de desejar os valores mais importantes, indestrutíveis, perenes.

Jesus Cristo, no Evangelho de hoje, responde aos judeus de maneira clara: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que cometer pecado é escravo do pecado“. Vem à nossa mente tantos jovens que hoje são escravos da droga, do sexo desregrado, do prazer, do dinheiro, do orgulho, da preguiça, da inveja, entre outros. Não são livres. Não são livres para desejar os valores maiores. Contudo, quem de nós não experimentou e não experimenta em maior ou menor medida a escravidão de vários vícios e debilidades? Santo Agostinho que, depois de uma vida tão libertina, teve que se esforçar bastante para encontrar esta liberdade espiritual, isto é, para partir as correntes dos seus maus hábitos e da paixão carnal, depois escreveu com convicção: “Ouso dizer que na medida em que servimos a Deus somos livres, enquanto que na medida em que servimos a lei do pecado somos escravos”.

Santo Agostinho também tinha a consciência de que a liberdade espiritual não se alcança plenamente com as próprias forças, mas unicamente por meio da Graça, da ajuda do Senhor. Contudo, Jesus afirma isso de maneira clara no Evangelho que ouvimos: “Por conseguinte, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres“. Portanto, seremos verdadeiramente livres se o Filho nos libertar!

O caminho da santidade é um caminho para a liberdade, a liberdade verdadeira, espiritual, que pode manifestar-se “até em condições de constrição exterior como nos ensina o Papa João Paulo II, na carta Encíclica Redemptor hominis, 12. A condição da sua autenticidade é “a exigência de uma relação honesta em relação à verdade […] a toda a verdade acerca do homem e do mundo” Continua sua santidade. Assim, voltam à nossa mente as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: “a verdade libertar-vos-á”.

Peçamos ao Senhor que nos ajude a saber e a aceitar seriamente o convite à santidade nas nossas condições de vida cotidiana, um convite a caminhar na verdade total e na liberdade autêntica.

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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