29 jul 2011

Na multiplicidade de nossas ocupações, busquemos o único bem!

As palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo – que acabamos de ler no Evangelho – advertem-nos de que, no meio da multiplicidade das ocupações deste mundo, há um bem único para o qual devemos tender. Tendemos porque ainda estamos a caminho e não em morada permanente; em viagem e não na pátria definitiva; em tempo de desejo e não da posse perfeita. Mas devemos tender, sem preguiça e sem parar, a fim de podermos um dia chegar ao fim.

Marta e Maria eram duas irmãs, ambas irmãs não só de sangue, mas também pelos sentimentos religiosos. Ambas estavam unidas ao Senhor; ambas, em perfeita harmonia, serviam o Senhor corporalmente presente.

Marta recebeu-O como costumam ser recebidos os peregrinos; e no entanto, era uma serva que recebia o seu Senhor, uma doente que acolhia o Salvador, uma criatura que hospedava o Criador. Recebeu o Senhor para Lhe dar o alimento corporal, ela que precisava do alimento espiritual. Com efeito, o Senhor quis tomar a forma de servo e nesta condição de servo quis ser alimentado pelos servos, por condescendência e não por necessidade. De fato, também foi por condescendência que se apresentou para ser alimentado, porque tinha assumido um corpo sujeito à fome e à sede.

E assim pôde ser hospedado o Senhor, Aquele que veio para o que era Seu e os Seus não O receberam; mas a quantos O receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Adotou os servos e fê-los irmãos; remiu os cativos e fê-los co-herdeiros. Mas ninguém dentre vós ouse dizer: “Oh! Bem-aventurados os que mereceram receber a Cristo na sua própria casa!” Não tenha pena, não se lamente por ter nascido num tempo em que já não pode ver o Senhor na sua carne. Ele não o privou dessa honra, porque Ele mesmo disse: “O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes”.

Além disso, você, assim como Marta, – com sua licença o direi, e bendita seja pelos seus bons serviços – busca o descanso como recompensa do seu trabalho. Ela estava ocupada com muitos serviços, querendo alimentar os corpos mortais, embora de pessoas santas. Porventura, quando chegar à outra pátria, poderá encontrar um peregrino a quem hospedar, um faminto com quem repartir o pão, um sequioso a quem dar de beber, um doente a quem visitar, algum litigante a quem reconciliar, algum morto a quem sepultar?

Lá, não haverá nada disso. Que haverá então? O que Maria escolheu: lá, seremos alimentados e não daremos alimento. Lá, há de cumprir-se em plenitude aquilo que Maria aqui escolheu: daquela mesa opulenta, ela recolhia as migalhas da Palavra do Senhor. Quer saber o que haverá lá? O próprio Senhor fala a respeito dos Seus servos: “Em verdade vos digo, que Ele os mandará sentar à mesa e, passando no meio deles, os servirá”.

Padre Bantu Mendonça

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