18 ago 2011

Na Igreja ninguém é insubstituível

Esta parábola das bodas – registrada somente por Mateus – foi proferida por Jesus em Jerusalém, em Sua última semana de vida sobre a terra. Essa última semana de vida de Jesus em Jerusalém foi de conflito contra todos os líderes religiosos: sacerdotes, escribas, fariseus, anciãos do povo. Na verdade, o mentor desta guerra contra Jesus era satanás, que queria se opor ao plano de Deus.

Na parábola das bodas, Jesus fala que o Reino dos Céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho e enviou os seus servos a chamar os convidados para essa festa. Estes, porém, não quiseram vir mesmo depois que o chamado foi renovado, com a observação de que tudo já estava preparado. Houve não só manifestação de indiferença como também até uso da violência contra os servos do rei, alguns dos quais chegaram a ser mortos. O rei, então, enfurecido, mandou seus exércitos, destruiu os homicidas e incendiou a cidade, tendo, então, chamado pessoas de fora dos limites da cidade para participar das bodas, sendo, então, recolhidos bons e maus.

Com a festa nupcial cheia de convidados, o rei foi observar os convidados e encontrou um homem sem trajes nupciais que, depois de interrogado e nada ter dito, foi lançado às trevas exteriores, onde havia pranto e ranger de dentes. Por isso, concluiu Jesus que muitos são chamados e poucos, escolhidos (cf. Mt 22,1-14).

Essa afirmação de Cristo deve ser verificada dentro do contexto da parábola. O rei chamou muita gente, mas aqueles que atenderam ao seu convite e participaram efetivamente da festa foram poucos em relação à população convidada. Havia muita gente no banquete, mas esta “muita gente” era pouca em relação aos que haviam sido convidados. Do mesmo modo, os salvos são poucos em relação a toda a humanidade, que foi convidada para a salvação.

O chamado é para todos, mas os escolhidos, ou seja, aqueles que atenderam ao chamado e se trajaram convenientemente, são poucos. Vemos, pois, que ao contrário do que dizem alguns, este texto, em vez de ser base para a doutrina da predestinação, confirma que a escolha é resultado do exercício do livre-arbítrio dos salvos.

Da mesma forma, a festa das Bodas do Cordeiro não deixará de ser realizada se eu ou você recusarmos o convite para fazer a obra de Deus. Na Igreja, ninguém – mas ninguém mesmo! – é insubstituível. Nem Moisés foi considerado insubstituível, até mesmo no momento em que mais Israel precisava dele, no momento em Canaã seria conquistada.

Os propósitos de Deus não são frustrados. Pela Bíblia sabemos que Deus tem um plano elaborado. E Ele trabalha de acordo com esse plano, zelando pelo seu fiel cumprimento. Sabemos que o Todo-poderoso remove todo e qualquer obstáculo que tenta impedir a realização do Seu plano, bem como substitui toda e qualquer pessoa, grupos, povos, nações, denominações evangélicas, que se recusarem a colaborar para a realização dele [Seu plano].

Na parábola das bodas, o rei não adiou nem cancelou a festa das bodas de seu filho, devido à recusa de seus convidados, os quais, segundo ele, “não eram dignos”. No dia determinado, “a festa nupcial ficou cheia de convidados”. Os que rejeitaram o convite ficaram de fora, perderam a oportunidade que lhes fora oferecida. Outros convidados ocuparam seus lugares e a festa se realizou.

Eu e você, meu irmão, não somos insubstituíveis, seja qual for o trabalho que estamos fazendo. Se nós recusarmos, Deus levantará outros, porque nada e ninguém poderá impedir a realização do Seu plano.

Repito: a festa das Bodas do Cordeiro não deixará de ser realizada se eu ou você recusarmos o convite para fazer a obra de Deus. Na Igreja, ninguém – mas ninguém mesmo! – é insubstituível.

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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