11 mar 2008

MORREREIS NOS VOSSOS PECADOS Jo 8,21-30

Em Jesus a humanidade é “elevada” à participação da vida divina. Estar com o Pai, fazer o que é do seu agrado, é nossa vocação. Porque Ele está connosco!

O “pecado”, segundo os critérios da Lei, é qualquer falta à sua estrita observância. A Lei servia tanto para explorar e excluir os pobres e pequenos, taxados de pecadores, como também para garantir os privilégios das elites religiosas do estado teocrata de Israel. O apego à Lei leva à rejeição da verdade de Jesus e do Pai, que é a comunicação da vida.

Estamos diante de um texto no qual Jesus narra a sua própria morte. Perante tal facto, alguém poderia dizer: Se Cristo tinha mesmo de entregar o seu corpo à morte por nós todos, porque é que não morreu normalmente, como homem? porque é que tinha de se deixar crucificar? Poder-se-ia, na verdade, dizer que era mais conveniente para Ele entregar o seu corpo de uma maneira digna do que suportar a infâmia de tal morte… Esta objecção é demasiado humana: o que aconteceu ao Salvador é verdadeiramente divino e digno da sua divindade por várias razões.

Em primeiro lugar, porque a morte que acontece aos homens tem a ver com a fraqueza da sua natureza; não podendo durar indefinidamente, eles desagregam-se com o tempo. Chegam as doenças e, tendo perdido as suas forças, acabam por morrer. Mas o Senhor não é fraco; Ele é a Força de Deus, o Verbo de Deus, a própria Vida. Se Ele entregasse o corpo em privado, num leito, à maneira dos homens, teriam pensado… que Ele não tinha nada a mais do que os outros homens… Não convinha que o Senhor adoecesse, Ele que curava as doenças dos outros…

Então porque é que Ele não afastou a morte, tal como tinha afastado a doença? Porque Ele possuía um corpo precisamente para isso e para não pôr entraves à ressurreição… Mas, dirá talvez alguém, Ele deveria ter evitado a conjura dos seus inimigos, para conservar o seu corpo absolutamente imortal. Que esse aprenda, então, que também isso não convinha ao Senhor.

Tal como não era digno do Verbo de Deus, por ser a Vida, dar a morte ao seu corpo por sua propria iniciativa, também não lhe convinha fugir da morte que outros lhe queriam dar…

Morrer como morreu não significou de modo algum a fraqueza do Verbo, mas fê-lo ser conhecido como Salvador e Vida… O Salvador não veio experimentar a sua própria morte, mas a morte dos homens. Eis o segredo que os judeus que acabavam de celebrar o dia da Reconciliação não entenderam. Portanto, contraditoriamente, estão procurando a morte de Jesus. Repetindo por três vezes “morrereis nos vossos pecados”, Jesus reverte o quadro. Rejeitar Jesus é rejeitar o dom da vida eterna e consequentemente fazer uma opção pela morte.

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