22 Aug 2009

MARIA: MEDIANEIRA, DISCÍPULA E MISSIONÁRIA Lc 1,26-38

O grande motivo do nosso amor a Maria é o fato dela ter sido mediação fundamental para a nossa Salvação, mulher escolhida para que Deus se fizesse Emanuel. Maria merece ser amada por nós porque “o mundo lhe deve o mistério da Encarnação.” Mas a Salvação não foi um momento mágico em que Deus tocou a humanidade com a sua “varinha de condão”… a Salvação aconteceu ao longo de uma vida de fidelidade e união, ao Pai e a todos os homens, vida que teve o seu início na Encarnação e conheceu a última palavra neste mundo quando expirou no alto da cruz. Ora, nessa presença salvífica de Deus entre os homens Maria esteve presente, no início com o “sim” à Encarnação, embora se perguntasse “como será isso?” (cf. Lc 1, 34), e aos pés da cruz com o “sim” à Paixão com o Filho, à qual fora conduzido pela fidelidade à verdade, ao amor e à vontade salvífica do Pai. Confiando o seu filho amado no regaço do Pai de todos os injustiçados, Maria continuava a ser presença ativa na Redenção que na morte de Jesus abria as portas a toda a humanidade e, embora se pudesse continuar a perguntar “como será isso?” ao sentir o sussurro da Salvação misturado com os gritos lancinantes da dor de Jesus, Maria ia “guardando todas estas coisas no seu coração” (cf. Lc 2, 51) e ia caminhando diante dos nossos olhos como modelo de uniformidade com a vontade de Deus que por vezes tem que manifestar-se pelo caminho pedregoso e espinhoso escolhido pelos homens.

Segundo Santo Afonso, Maria é a medianeira de todas as graças, não a eleva a nenhum grau de semideus, nem lhe passa pela cabeça que ela dê ordens a Jesus a nosso respeito. Mas, quando existe verdadeiro amor, como entre Jesus e Maria, tão grande é o prestígio de uma mãe, que nunca pode tornar-se súdita do seu Filho, ainda que ele seja monarca e tenha domínio sobre todas as pessoas do reino. Daí concluímos que são as súplicas de Maria eficacíssimas para obterem tudo quanto ela pede, ainda que não possa dar ordens ao seu Filho no Céu, pois os seus rogos sempre são rogos de mãe. A oração de uma mãe move os céus. Por isso, você que é mãe e que tem o seu filho metido neste ou naquele outro vício, peça como Maria a Jesus para que seu filho seja liberto e curado. Maria como a medianeira de todas as graças, continua o caminho do amor que Deus escolheu para se manifestar; como numa escada, Deus usou degraus para “descer” ao nosso encontro: Deus Pai – Jesus – Maria – Humanidade. Se este foi o caminho do amor-primeiro na Revelação, é também o melhor caminho para o amor-resposta na oração: “Assim como numa escada não se sobe ao terceiro degrau sem antes passar pelo segundo, não se atinge o segundo sem se passar pelo primeiro, assim também não se chega a Deus senão por meio de Jesus Cristo, e não se chega a Jesus Cristo senão por meio de Maria.

Ontem como hoje, Maria continua a ser a Senhora solícita e atenta às nossas necessidades para interceder junto do seu Filho: “Filho meu, ajuda-os. Vê bem como se esquecem de quanto fizeste por eles! Eles precisam de Ti, continuam a precisar de Ti como há dois mil anos. Como então lhes faltou o vinho quando fomos às bodas em Caná, assim hoje lhes falta o vinho novo que alegre as suas vidas tristes e cinzentas que não conhecem o vinho inebriante da Tua presença transformadora. Filho meu, eles não têm vinho!

Como modelo de discipulado, Maria é a mais perfeita cumpridora do mandamento primeiro de Deus: “Amarás ao Senhor teu Deus, com todo o teu coração” (Dt 6, 5; Mt 22, 37). Além disso, foi escolhida por Deus para acolher a mais íntima união com Deus que é Amor, e com o qual não há outra forma de união que o próprio amor. E se a Encarnação conhece, de fato, uma dimensão biológica, o amor cria união a um nível muito mais profundo.

A senhora da caridade. Ela passou uma vida tão cheia de caridade que socorria aos necessitados, ainda que não lhe pedissem solícito auxílio. Assim o fez, por exemplo, nas bodas de Caná. Com as palavras ‘Eles não têm vinho’, rogou ao Filho que livrasse milagrosamente os esposos do inevitável vexame. Quão pressurosa era, quando se tratava de socorrer ao próximo! Quando, movida pelo dever da caridade, foi assistir Isabel, diz o Evangelho que então ‘teve pressa em passar pelas montanhas’. Mais brilhante prova dessa grande caridade não nos pôde dar, do que oferecendo o seu Filho à morte pela nossa Salvação.

Para captar a estima de Maria, melhor meio não há do que usar de caridade para com o próximo. Exorta-nos o Senhor: ‘Sede misericordiosos, assim como também o vosso Pai é misericordioso’ (Lc 6, 36). Assim parece que Maria diz também aos seus filhos: ‘Sede misericordiosos, como também vossa Mãe é misericordiosa’. E é certo que Deus e Maria usarão da mesma caridade que usarmos com o nosso próximo: ‘Dai aos pobres e dar-se-vos-á… porque com aquela mesma medida que medirdes se vos há-de medir a vós’ (Lc 6, 38)”[10]

Maria é a mulher de fé. Imitar a fé de Maria é realizar na nossa vida a bem aventurança que Jesus proclamou: “Felizes os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28). Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem aventurada: ‘Bem aventurada és tu, que acreditaste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas’ (Lc 1, 45). Porque abriu o seu coração à fé em Cristo, ela é mais bem aventurada do que por haver trazido no seu seio o corpo de Jesus Cristo.

Saiba minha irmã, meu irmão, que da fé nasce a esperança. Pois Deus nos ilumina com a fé, fazendo-nos conhecer a Sua bondade e as Suas promessas, para que nos elevemos pela esperança ao desejo de possuí-lo. Quando se apoia na fé, a esperança é uma firme confiança. De modo sublime está esta esperança expressa no episódio das bodas de Caná em que Maria disse apenas: “Eles não têm vinho.” Ao que Jesus respondeu: “Que nos importa isso, a mim e a ti? Minha hora ainda não chegou.” (Jo 2, 4) Apesar da aparente repulsa, confiada na divina bondade, ordenou a Virgem aos servos que fizessem resolutamente o que lhes ordenasse o Filho. Durante toda a sua vida, tendo que dar à luz em situação de extrema carência, tendo que fugir para o Egito, tendo que procurar aflita o seu Jesus perdido no Templo, tendo que vê-lo ser pregado como um malfeitor, a esperança de Maria sempre a fez guardar no seu coração as palavras que S. Paulo escreveu depois na carta aos Romanos: “Sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados, de acordo com o Seu desígnio” (Rm 8, 28).

Esperando inabaláveis em Deus que é Amor e firmes na fé em Deus que é fiel, sigamos o exemplo de Maria e unamo-nos ao grito libertador de Paulo: “De tudo sou capaz naquele que me dá força” (Fl 4,13) e vivamos como Maria, a discípula e missionária de Jesus Cristo como nos ensina o Documento de Aparecida.

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