21 set 2010

Jesus Cristo veio para os enfermos

Realmente era verdadeira a acusação dos puritanos a Jesus: “Andas com pessoas de má fama”. Assim o evidencia o Evangelho de hoje em que o Senhor chama para a sua companhia, como um apostólo a mais, Mateus – a quem Marcos e Lucas chamam de Levi -, publicano de profissão, isto é, cobrador de impostos para os romanos, oriundos da potência estrangeira de ocupação. Os abusos dos publicanos, “ladrões oficiais”, eram visíveis, pois aí radicava a sua margem de lucro. Por isso mesmo deviam ser evitados social e religiosamente, na opinião dos mestres da ortodoxia judaica.

Por que essa preferência de Jesus pelos marginalizados da salvação? “Não têm necessidade de médicos os sãos, mas os doentes. Ide, aprendei o que significam essas palavras: Eu quero misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,12b-13). Eis aqui a explicação da conduta de Jesus e o substrato de todo o Seu ministério de encarnação na raça humana, a razão de toda a Sua vida e do Seu Evangelho, a finalidade da Sua morte e ressurreição.

Jesus provoca intencionalmente o escândalo dos puritanos tomando partido dos pecadores para mostrar a misericórdia de Deus, que os acolhe e perdoa como o pai do filho pródigo o faz. Mais ainda: avisou aos chefes religiosos do povo judeu de que publicanos e prostitutas lhes antecederiam no caminho do Reino de Deus. De fato, foram os pecadores e ignorantes, os pequenos e os pobres, os doentes e os marginalizados que captaram a mensagem libertadora de Cristo melhor que os justos e os sábios, os grandes e os entendidos.

Ninguém, pois, deve escandalizar-se; porque a misericórdia de Deus não é cumplicidade e laxismo permissivo, mas procura do homem para o promover e o redimir. Mateus era um marginalizado da salvação e um discriminado social, como o são hoje tantos homens e mulheres. Não obstante, ou precisamente por isso, Cristo dignifica-o e restabelece-o na sua condição de pessoa e de filho de Deus com o voto de confiança que supôs o convite do “segue-me”. Sugestão que, por certo, contava com todos os pressupostos em contrário. Mas para o Senhor a pureza religiosa autêntica não é a legal, mas a conversão ao amor, à piedade e à misericórdia.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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