09 jul 2011

Jesus quer nos libertar de nossos temores

Neste texto, Cristo nos liberta do medo; assim como as enfermidades, os medos podem ser agudos ou crônicos.

Os medos agudos são determinados por uma situação de perigo extraordinário. Como surgem de improviso e sem aviso, dessa forma desaparecem com o cessar do perigo, deixando somente uma má recordação. Não dependem de nós e são naturais.

Mais perigosos são os medos crônicos, os que vivem conosco, que levamos desde o nascimento ou da infância, que se convertem em parte de nosso ser e aos quais acabamos, muitas vezes, até os “acariciando”.

O medo não é um mal em si mesmo. Frequentemente, é a ocasião para revelar um valor e uma força inesperados. Só quem conhece o temor sabe o que é o valor. Transforma-se verdadeiramente em um mal que consome e não deixa viver quando, em vez de estímulo de reação e impulso para a ação, passa a ser uma desculpa para a inação, algo que paralisa. Quando este medo se transforma numa ânsia. Jesus deu um nome às ansiedades mais comuns do homem: “Que vamos comer? Que vamos beber? Com que vamos nos vestir?” (Mt 6,31).

A ansiedade converteu-se na enfermidade do século e é uma das causas principais da multiplicação dos infartos. Vivemos na ansiedade e, assim, é como se não vivêssemos! Esse mal [ansiedade] é o medo irracional de um objeto desconhecido. Temer sempre e esperar de tudo sistematicamente o pior e viver numa constante numa palpitação. Se o perigo não existe, a ansiedade o inventa; se existe, agiganta-o!

A pessoa ansiosa sofre sempre os males duas vezes: primeiro na previsão e depois na realidade. O que Jesus – no Evangelho de hoje – condena não é tanto o simples temor ou a justa solicitude pelo amanhã, mas precisamente esta ansiedade e esta inquietude. “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”.

Deixemos de descrever nossos medos de diferentes tipos e tentemos, ao contrário disso, ver qual é o remédio que o Evangelho nos oferece para vencê-los. O remédio se resume em uma palavra: confiança em Deus, crer na Providência e no amor do Pai celeste. “Quanto a vós até os vossos cabelos da cabeça estão contados … Vós valeis mais que muitos pardais”. A verdadeira raiz de todos os temores é o de encontrar-se só. Esse contínuo medo da criança em ser abandonada.

E Jesus nos assegura justamente isto: que não seremos abandonados. “Se minha mãe e meu pai me abandonam, o Senhor me acolherá” (Salmo 27,10). Ainda que todos nos abandonem, Ele não nos abandona. Jamais. Seu amor é mais forte que tudo.

Não podemos, contudo, deixar o tema do medo neste ponto. Resultaria pouco próximo à realidade. Jesus quer libertar-nos dos temores e nos liberta sempre, mas Ele não tem um só modo para fazê-lo: tem dois. Ou nos tira o medo do coração ou nos ajuda a vivê-lo de maneira nova, mais livre, fazendo disso uma ocasião de graça para nós e para os demais.O próprio Cristo quis fazer essa experiência. No Horto das Oliveiras está escrito que “começou a experimentar tristeza e angústia”. O texto original sugere até a ideia de um terror solitário, como de quem se sente isolado do consórcio humano, em uma solidão imensa. E a quis experimentar precisamente para redimir também este aspecto da condição humana. Desde aquele dia, vivido em união com Ele, o medo – especialmente o da morte – tem o poder de levantar-nos em vez de deprimir-nos, de fazer-nos mais atentos aos demais, mais compreensivos. Em uma palavra: mais humanos.

Jesus Cristo está comigo. A quem temerei? Assaltem-me as vagas e a cólera dos grandes: tudo isso não vale, sequer, o peso de uma teia de aranha. Porque Ele está comigo e o Seu báculo me enche de confiança.

Padre Bantu Mendonça

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