24 dez 2011

Jesus, o Rei inigualável

O Evangelho de Jesus nos diz que a vida e morte d’Ele testemunham a natureza inigualável de Sua realeza e Reino. Mas o que o nascimento de Cristo nos diz? Jesus é o único qualificado para ser Rei. Mateus traça a linhagem do Senhor através de José (1,1-17), um descendente de Davi (1,6), uma vez que somente um filho de Davi poderia reinar como Messias (cf. Salmo 89,3-4). Lucas traça do mesmo modo a linhagem de Maria até Davi (3,23-31), assim qualificando duplamente Jesus para ser o Messias. Contudo, o Messias precisa também ser o Filho do Céu (Salmo 2,7). Pela virgindade de sua mãe, Jesus nasceria como o único Filho de Deus. O anjo Gabriel assegurou a Virgem Maria que o “poder do Altíssimo” (cf. Lucas 1,35) lhe daria a capacidade de conceber sendo virgem (cf. Mateus 1,20). E, “por isso, o ente santo” poderia ser “chamado Filho de Deus” (Lucas 1,35).

O nascimento de Jesus demonstra Sua divindade. Anjos disseram a Maria (cf. Lucas 1,26-38) e a José (cf. Mateus 1,18-23) que seu “Filho do Altíssimo” era mais do que apenas um filho, antes, Ele seria o Filho unigênito de Deus (cf. João 3,16), chamado apropriadamente “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco” (cf. Isaías 7,14; João 1,14).

E Jesus reinaria sobre a casa de Jacó reconstruída (cf. Lucas 1,33; Atos 15,16-18). E que Ele receberia quem quer que O temesse e fizesse o que é reto (cf. Atos 10,35), essa casa consistiria de judeus e de gentios. Ele concederia a todos os Seus cidadãos uma igualdade e comunhão que o mundo jamais tinha conhecido (cf. Gálatas 3,28), pois Ele seria Boa Nova “para todo o povo” (cf. Lucas 2,10).

Todavia, Jesus não reinaria como um tirano, mas como Salvador. Ele salvaria “seu povo dos pecados deles” (cf. Mateus 1,21), trazendo a eles a maior paz de todas: a paz com Deus (cf. Romanos 5,1). Ele salvaria, não subjugaria. Tendo em vista que Seu Reino também traz salvação (cf. Atos 2,23-24), Ele não poderia ser rei se não fosse Salvador (cf. Zacarias 6,12-13; Hebreus 1,3). Portanto, tendo em vista que Ele salva, Ele na verdade tem que reinar (cf. Atos 2,33-36).

O modo de Seu nascimento também revela como Cristo é inigualável. A maioria dos reis nascem no luxo e na riqueza. Porém, não este Rei. Suas faixas não foram de fina púrpura nem Seu berço de ouro. Em vez disso, uma manjedoura serviu como cama. Esse Rei humilde fez uma entrada quieta e não pretensiosa para aquelas pessoas de humildade incomum que seriam Seus cidadãos.

Os anjos não anunciaram o nascimento de Cristo aos poderosos e influentes, mas aos pastores. Eles, humildemente, vieram “apressadamente” para encontrar “a criança deitada na manjedoura”. Encontrando-O, eles glorificaram e louvaram a Deus. Para os corações que respondem, como o desses pastores, em fé confiante nas palavras de Deus, Jesus seria Rei.

Entretanto, esse Rei seria “para ruína como para levantamento” (cf. Lucas 2,34). Porque a maioria rejeita Sua mensagem (cf. João 1,11), eles caem enquanto outros sobem a “lugares celestiais, em Cristo Jesus” (cf. Efésios 2,6) pela obediência à Sua vontade (cf. Mateus 5,19). Até mesmo os pais do Senhor representam o tipo de cidadãos que pertenceriam ao Seu Reino: justos, amorosos, puros e obedientes.

Seguindo a estrela até Herodes, homens sábios do Oriente aprenderam com o profeta Miquéias que o Messias nasceria em Belém. “Eles entraram na casa (não estábulo) e viram o menino” (não o recém-nascido) (cf. Mateus 2,11). Portanto, esses homens possivelmente viram Jesus antes de Seu segundo ano de idade, em vez de vê-Lo na manjedoura, porque Herodes informou-se com os homens sábios “quanto ao tempo em que a estrela aparecera” (2,7) e mais tarde matou crianças de dois anos para baixo (2,16).

Até mesmo os visitantes do Oriente tipificam os cidadãos do Reino. Dispostos a fazer uma viagem longa e árdua só para vê-Lo, eles O adoraram (cf. Mateus 2,11). Eles trouxeram dádivas adequadas a um rei: ouro, uma dádiva comum à realeza (cf. I Reis 10,14-22); incenso, frequentemente ligado com adoração a Deus (cf. Levítico 2,1-16) e mirra, uma especiaria tipicamente cara usada na adoração (cf. Êxodo 30,23-33), na aromaterapia (cf. Salmo 45,8) e no embalsamamento (cf. João 19,39).

Nós também precisamos chegar alegremente ao nosso Rei e oferecer nossos corpos “por sacrifício vivo, santo, que é o vosso culto racional” (cf. Romanos 12,1). Seu nascimento valida Seu direito ao trono de Davi, Sua divindade, Seu domínio internacional e até a natureza de Seu Reino. Mas o que os pais, os pastores e os homens sábios demonstram é que nada menos do que corações submissos e vidas obedientes são suficientes para esse Rei que eleva corações humildes à glória no Reino dos Céus.

Pai, dá-me um coração de pobre que me permita contemplar o nascimento do Teu Filho Jesus, que viveu pobre para ser solidário com os pobres e humildes.

Aproveito para expressar meus votos de um Feliz e Santo Natal a você e sua família!

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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