24 fev 2013

Jesus nos revela um Deus que surpreende

Presentes Pedro, João e Tiago, Jesus se transfigura diante deles! Seu corpo ficou luminoso e resplandecente as suas vestes. Com isto, Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era, realmente, o Filho de Deus enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas do Senhor. É Deus conosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens.

A Sua Paixão e Morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica – luz, brancura, glória, nuvem – que indicam a presença de Deus.

Jesus nos revela um Deus que surpreende. Fala da Glória. Todavia, mostra-nos que o caminho necessário para ela é o caminho da cruz, da Paixão e Morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados.

Já o profeta Daniel ficou surpreendido de ver entrar na glória e receber uma realeza divina, com poder eterno, alguém semelhante a qualquer filho do homem, mas teve de passar pela cova dos leões.

Surpreendidos ficaram também os três apóstolos, no Tabor, ao verem Jesus tão divinamente transfigurado, estando precisamente a rezar preocupado, como qualquer homem, com o que ia sofrer em Jerusalém.

É neste mistério de luz que, hoje, a liturgia nos convida a fixar o nosso olhar. No rosto transfigurado de Jesus brilha um raio da luz divina que Ele conservava no seu íntimo. Esta mesma luz resplandecerá no rosto de Cristo no dia da Ressurreição.

A Transfiguração convida-nos a abrir os olhos do coração para o mistério da luz de Deus, presente em toda a história da salvação. Já no início da criação, o Todo-Poderoso diz: «Faça-se a luz!» (Gn 1, 3), e verifica-se a separação entre a luz e as trevas.

Como as outras criaturas, a luz é um sinal que revela algo de Deus, é como o reflexo da sua glória que acompanha as suas manifestações. Quando Deus aparece, «o seu esplendor é como a luz, das suas mãos saem raios» (Hab 3, 4 s.). Como se afirma nos Salmos, a luz é o manto com que o Senhor se reveste (cf. Sl 104, 2).

No Livro da Sabedoria, o simbolismo da luz é utilizado para descrever a própria essência de Deus: a sabedoria, efusão da glória de Deus, é «um reflexo da luz eterna», superior a todas as luzes criadas (cf. Sb 7, 26.29 s.). No Novo Testamento, é Cristo que constitui a plena manifestação da luz de Deus. A Sua Ressurreição aboliu para sempre o poder das trevas do mal.

Com Cristo ressuscitado, a verdade e o amor triunfam sobre a mentira e o pecado. Nele, a luz de Deus já ilumina definitivamente a vida dos homens e o percurso da história. «Eu sou a luz do mundo – afirma Ele no Evangelho – quem me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8, 12).

A você que, muitas vezes, se encontra desanimado e assustado, Jesus diz: “O caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva”. Seguir a Cristo é a garantia da vitória final.

Portanto, neste segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova. E este não é senão o caminho da escuta atenta de Deus e dos Seus projetos, o caminho da obediência total e radical aos planos do Pai.

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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