08 fev 2012

Jesus, arranque de nós o coração de pedra

No Evangelho de hoje, Marcos nos mostra que o processo de contaminação pela impureza era uma questão grave, que ultrapassava toda a imaginação dos escribas e fariseus. Eles temiam ficar impuros pelo contato físico com coisas e pessoas. Dessa forma, conduzidos por um pensamento tão equivocado, não percebiam os verdadeiros agentes da contaminação.

Era urgente que Jesus lhes apontasse em que consistiam os elementos contaminadores e onde estes estavam. Segundo nos ensina o Messias, o que contamina o homem não está fora dele, mas sim no mais íntimo de seu coração. Infelizmente, não é fácil se precaver quando não se tem um coração puro. Daí provêm as impurezas que incapacitam o ser humano para um relacionamento adequado com Deus.

É relativamente fácil segregar-se das coisas e pessoas tidas como “transmissoras da impureza”. Por outro lado, é extremamente difícil manter a devida distância do que sai da pessoa e tem o poder de contaminá-la. Vigilância e discernimento são duas atitudes imprescindíveis. Sem elas, a hipocrisia apodera-se da ação humana. Não raro, a pessoa fiel às regras de purificação acaba sendo a mesma que nutre maus pensamentos contra o próximo.

O discípulo do Reino de Deus previne-se contra esta falta de autenticidade. Dele se exige, em primeiro lugar, a purificação das motivações de sua ação. Seu agir deve brotar de um coração puro, sem dolo nem “má fé”; e buscar unicamente o bem do próximo. Essa é a pureza requerida por Deus. A outra se reduz à mera questão de higiene, sem a menor relevância.

Portanto, somente somos verdadeiros discípulos quando trazemos e nutrimos no coração uma experiência inspirada nos sentimentos do coração de Deus. A interioridade é, na verdade, a força sustentadora da autêntica experiência de fé, do culto a Deus e da sinceridade no relacionamento com os outros. Jesus pede dos Seus discípulos esta construção e esta conquista. O “de fora” se sustenta autenticamente a partir do que está no fundo do coração. Manter as aparências e enganar é hipocrisia.

Cristo recorda – em linguagem bem direta – que o que sai do interior é que é impuro: as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. E conclui: “Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.

“A mais longa jornada é a jornada interior”, escreveu Dag Hammerskjold. Como isso é verdade! Jesus entendeu as condições do coração humano. O que, em nosso interior, pode realmente nos fazer necessitar de uma “cirurgia espiritual do coração”.

De nossos corações vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, crimes, violência, cobiça, más intenções, fraudes e muito mais. Corramos em direção ao “maior Cirurgião de todos os tempos” – Jesus Cristo – para que Ele faça um novo transplante do nosso coração. Que o Senhor arranque de nós o coração de pedra e nos dê um coração de carne!

Senhor Jesus, tira-me o coração velho e me revista de um novo coração capaz de amar e perdoar até os meus inimigos e perseguidores. Capaz de compreender, acolher, dialogar e, sobretudo, a não olhar somente o exterior, mas sim o interior, preocupando-me com a sua purificação contínua. JESUS, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI O MEU CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO. FAZEI-ME VIVER O AMOR E A RECONCILIAÇÃO. AMÉM!

Padre Bantu Mendonça

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