02 out 2010

Humildade e serviço

Existe no coração do ser humano, infelizmente, como fruto do pecado original, uma força que quer arrastá-lo para que se coloque acima dos outros, para que se sinta maior que os demais irmãos. Essa força é a força do pecado, pecado este que é a mãe de todos os demais pecados, ou seja, o vício da soberba.

A única “vacina” capaz de combater esta “bactéria” chamada “soberba” – sim, pois o pecado é como uma bactéria, ou seja, quando menos esperamos ela destrói a vida da pessoa. Para dizer: bactéria não se administra: se elimina; pois na primeira oportunidade que ela tiver, ela vai destruir você; assim é o pecado. Daí entendemos quando Paulo diz que o salário do pecado é a morte. Retomo: a única vacina capaz de combater a “bactéria” da soberba – mãe de todos os pecados – é a mãe de todas as virtudes: a virtude da humildade.

A Palavra de hoje, no Evangelho, vai nos trazer o processo de como podemos chegar à humildade,  virtude fundamental para o nosso combate espiritual. Para chegarmos à virtude da humildade deveremos trabalhar algumas atitudes bem concretas, pois virtude alguma cai do céu, pois a virtude é o resultado de um hábito bom, muitas vezes, repetidos. Como chegar à humildade?

O pai da humildade é o autoconhecimento. Sem se autoconhecer jamais a pessoa chegará à humildade, pois humildade provém da palavra “húmus” – do latim – que quer dizer “terra”; para dizer que só é humildade aquele que tem a coragem de tocar na sua história mais profunda, nas realidades mais obscurecidas.

Sinceridade. Como a criança, devemos ser sinceros diante de Deus, das pessoas e de nós mesmos; a criança é muito sincera; quando ela gosta, gosta de verdade; quando não gosta, deixa claro para todos ouvirem e verem. Se quisermos ser humildes, teremos de acabar com as manipulações, com as mentiras, com as máscaras que sempre nos levam a viver de imagens, respeito humano, “diplomismo”, hipocrisia; acabamos fazendo o contrário: o nosso “sim” vira “não” e o nosso “não” vira “sim”. Autenticidade, verdade, transparência – tudo isso mediante a caridade – são o caminho para a humildade.

3º Confiança. Interessante que Jesus, numa ocasião, disse a Santa Faustina que o que mais fere o Coração d’Ele não é o pecado – até porque o mal é inacessível a Deus – mas sim, a falta de confiança. A confiança é este vaso que colhe a misericórdia de Jesus, que se derrama sobre cada um de nós. Uma das características da criança é a confiança que ela possui em seus pais – desde que estes sejam pais de verdade e não somente genitores. A criança se abandona, confia, sabe que os pais vão dar um jeito.

4º A arte do entretenimento. A grande característica da criança é que ela vive nesta fase linda de brincar. Nós adultos não brincamos mais, levamos a vida muito a sério e, por isso, ela [a criança] não possui a seriedade que deveria ter, pois somente quem sabe brincar e sorrir saberá tomar decisões sérias na hora exata em que a vida lhe pedir.

5º A criança é inteira. Ela serve. O maior é aquele que serve; a autoridade na Igreja está no serviço. Devemos começar a ser inteiros, como as crianças, em tudo aquilo que formos fazer e viver; devemos nos doar, até gastar a própria vida. Aí está o grande caminho de sermos grandes: grandes para os outros, para fazer da vida deles uma vida mais digna e humana.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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