08 out 2011

Fazemos parte da bem-aventurada família de Cristo

Diante da enorme multidão, Jesus recebe um elogio por meio de uma mulher: “Ditoso o ventre que te carregou e os seios que te amamentaram!” Em outras palavras seria: “Viva a mãe que o gerou!”, porque entre os antigos judeus a melhor honra de uma mulher consistia em ter um filho famoso.

Este elogio à mãe de Jesus é a segunda vez que ela o recebe de uma mulher que a declara bem-aventurada ou ditosa. A primeira foi quando da visita a Isabel em Lc 1,45 que, no Magnificat, se traduz numa bênção reconhecida em todos os tempos: “Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. Mas Jesus disse: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”. Ao responder assim, Jesus não nega a bem-aventurança dada a sua mãe, porém, prefere a bem-aventurança última e eterna destinada a todos aqueles que escolhem a felicidade que provém de Deus àquela que sai da boca dos homens.

Esta felicidade que ouvimos da boca de Jesus sai da vontade e preferência divinas. E esta felicidade é a de escutar e guardar a Palavra de Deus Vivo e Verdadeiro.

Devemos entender esta passagem com a paralela em Lucas 8,21 quando Jesus escolhe a sua nova família entre os ouvintes da Palavra de Deus e praticantes da mesma.

O mundo espiritual está acima do mundo material e dos laços familiares. Jesus anuncia premiar Seus discípulos por deixar a própria família por causa d’Ele e do Evangelho (Mc 10,29), pois Ele também havia deixado Sua família para fazer a vontade do Pai, em cuja casa devia ser procurado, com antecedência à casa de seus familiares em Nazaré.

Jesus, pois, a si mesmo se justifica quando afirma em Lc 8,21 a sua nova família e que, nesta ocasião, a louva em comparação com a família biológica. A fé está acima da biologia, assim como o espírito está acima da matéria.

Se vemos em Jesus o Mestre, estaremos a meio caminho da Verdade. Ele pode afirmar que “não é a carne nem o sangue” que devem ser os intérpretes de seu Evangelho, mas somente os nascidos da vontade divina – como Ele próprio. São estes que constituem a sua verdadeira família.

O fato de seus familiares não acreditarem n’Ele – assim como os seus conterrâneos – é algo mais para se agradecer do que surpreender, pois nesse fato encontramos uma razão para admirar os caminhos do Senhor que não considera os laços familiares como motivo de sua Providência.

São os menos favorecidos os que, como pequeninos e ignorantes, O encontram e, com Ele, descobrem o Pai comum. Nem por isso devemos renunciar ao encontro com a Sua Mãe que se transforma em nossa mãe, Maria, mulher eternamente bem-aventurada.

Padre Bantu Mendonça

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