15 abr 2013

Eucaristia, o sacramento da unidade

Toda pessoa sabe que se não comer morre. Há um ditado popular que diz: “Saco vazio não para em pé”. Sabe também que quem come muito pouco ou passa fome fica desnutrido, fraco e muito mais propenso às doenças e até à morte. Comer o pão e beber o vinho é, em primeiro lugar, viver. É fácil perceber o que o Senhor quis nos ensinar ao usar este símbolo: Assim como sem comida, até o mais forte dos corpos definha e morre, assim também até o maior dos santos, sem a Eucaristia, não consegue se sustentar.

Durante todo o Evangelho, podemos perceber a importância que Cristo dá às refeições. Várias vezes, Ele come com os fariseus, com os publicanos, com os pecadores.

Durante as refeições, o Senhor ensinava, exortava. Por isso, nada mais natural do que escolher uma refeição para nela instituir a Eucaristia (Jo 13,2). A palavra “Koinonia” significa “comunhão”. São pessoas que estão juntas, partilhando, comungando da mesma refeição.

Na família, o momento da refeição é de reunião, de troca, de colocar os assuntos em dia; nesses momentos, a união da família se solidifica. Quando queremos nos confraternizar numa festa, sempre existe refeição para se partilhar. Quando queremos aumentar nossa intimidade com alguém, nós os convidamos para comer juntos. Se isto tudo é verdadeiro para simples refeições diárias, quanto mais será para a refeição eucarística compartilhada! É nessa mesa do Pão vivo que se opera a unidade real e misteriosa da Igreja. (cf. ICor 10,16-17).

A Eucaristia é o sacramento da unidade. Ela une a Igreja em torno de Cristo, de Seu sacrifício. A Igreja “comunga” com Ele, torna-se o corpo de Cristo, unindo-se como células que recebem o mesmo alimento e são purificadas pelo mesmo sangue. Assim como o pulmão é diferente na sua anatomia e função do intestino, mas ambos são essenciais e pertencentes ao mesmo corpo, nós também, embora sendo diferentes uns dos outros, somos partes de Cristo pelo batismo. Uma só fé, um só batismo, um só Espírito. Esta é a essência da unidade, operada e mantida pela comunhão do corpo e sangue de Cristo.

Pelo conhecimento que o Senhor nos dá do valor da Eucaristia, puro dom de Deus para a nossa salvação, possamos participar dela com novo ânimo de maneira a sermos curados, libertos e restaurados. E, assim comprometidos, partilhá-la com os nossos irmãos.

Por tudo quanto disse, posso concluir e afirmar – sem medo de errar – que a Eucaristia é vida e compromisso. É partilha e serviço.

Padre Bantu Mendonça

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