03 abr 2011

"Eu creio, Senhor!"

Apesar de Jesus ter dado a visão ao cego de nascença, ainda continuou a ser para ele um desconhecido. Não o vira quando Ele lhe untou os olhos com o lodo; só o ouvia dizer: «Vai, lava-te na piscina de Siloé». Depois quando do seu encontro com Jesus, realizado só após algum tempo, travou-se esta conversa: «Tu crês no Filho do Homem?…»; «Quem é Ele, Senhor, para que n’Ele creia?»…; «Tu já O viste; é Ele que fala contigo». Respondeu: «Eu creio, Senhor!»

Esta passagem do Evangelho tem a sua particular motivação histórica na 4ª semana da Quaresma. Nos primeiros séculos o período de 40 dias foi, na Igreja, o tempo de preparação especial intensiva para o Batismo. Foi o tempo dedicado de modo especial ao Catecumenato. Realizava-se deste modo, durante ele, o processo de conversão que é necessário considerar como o primeiro e mais fundamental: a conversão a Deus que nos dá nova vida em Cristo. Devemos, de fato, ser mergulhados na Sua morte para nos tornarmos depois, pelo sacramento do Batismo, uma nova criatura — participando, à custa desta morte, na Sua ressurreição. Para nos tornarmos o sujeito vivo do Mistério em que Deus renova, em cada um de nós, o homem velho criando-o de novo por meio da graça, à imagem de Seu Filho Unigênito.

Olhemos com atenção para o comportamento deste homem. Logo depois de receber a visão, torna-se objeto de interrogações e investigações. Primeiro, são-lhe feitas perguntas pelos conhecidos e vizinhos. Estes, em seguida, levam-no aos escribas e fariseus. Aqui muda o sentido das perguntas. Estes não se limitam ao pasmo diante do fato de um cego de nascença ter adquirido a visão. Nem ainda se limitam a aceitar — como os vizinhos e os conhecidos tudo o que ele declara, quer dizer, ter recebido a visão graças ao homem que se chama Jesus. Mas, procuram enfraquecer nele a certeza e levá-lo a negar precisamente esta verdade. Mas não podendo negar o fato, que é evidente — era incontestável que o cego de nascença agora enxergava — procuram negar as circunstâncias e o significado do acontecimento. As circunstâncias: «Este homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado»… «Sabemos que esse homem é pecador». E o significado do fato, o que, precisamente para eles, é o mais importante: «Tu, o que dizes daquele que te abriu os olhos?». E ele respondeu: «Que é profeta».

A resposta perturba-os. Poderia ser perigoso caso se difundisse entre o povo (é preciso que Jesus de Nazaré seja considerado como pecador que transgride a Lei do sábado). Os fariseus procuram influir nele por meio dos pais. Em vão. Todos os esforços destinados a desacreditar o Taumaturgo aos olhos do curado, acabam por gorar-se. Apertado por tais perguntas, ele mantém grande prontidão de espírito. Faz um raciocínio lógico e incontestável, e termina com as palavras: «Se Ele não fosse de Deus, nada poderia fazer». Os fariseus só podem mostrar desprezo e raiva: «Tu nasceste inteiramente em pecado e ensinas-nos a nós?». «E expulsaram-no».

Mas ele, reconhecendo e acolhendo o dom de Deus, se sente seduzido e encharcado por ele. Acreditando, aposta e arrisca toda sua vida seguindo atrás de Jesus, porque sabe que não se engana nem na vida e nem na morte. Para ele, Jesus é o Caminho, a Verdade, a Luz e a Vida. E para você? Quem é Jesus?

Padre Bantu Mendonça

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