18 ago 2010

Esta é a hora na nossa vida!

Na época de Jesus, no tempo da colheita das uvas, os grandes proprietários, pela falta de operários em função do excesso de trabalho, saíam várias vezes ao dia para buscar pessoas desempregadas num determinado lugar; todos sabiam – trabalhadores e senhores de terras – que neste lugar combinado era o ponto de encontro para a contratação de funcionários para a colheita das vinhas. Às 6h, às 9h, às 12h e às 17h eram os horários que os donos de vinhedos passavam nos lugares combinados para contratar empregados que estivessem dispostos a serem contratados; às 18h encerrava-se a jornada de trabalho.

A parábola está profundamente mergulhada dentro deste paradigma cultural; o paradigma encontra-se de forma mais marcante quanto às formas de merecimentos que cada um possui diante de Deus; ou seja, para os rabinos e doutores da lei, cada um é amado por aquilo que tem, por aquilo que faz, por aquilo que representa para os outros em termos de importância social e econômica e não por aquilo que é: filho, filha de Deus.

Tudo desenrola-se da melhor maneira possível em termos de trabalhos na vinha, até que termina a jornada de trabalho e chega a hora do pagamento. Não haveria problemas pelo fato de uns terem sido contratados antes ou depois; o problema – para os contratados – é que cada um recebeu o mesmo valor, e começaram a pagar os que chegaram por último. Quanta injustiça para a mentalidade de concepção meritória dos rabinos e doutores da lei. Para Jesus, o que importa é que cada um recebeu o que foi combinado, para dizer que não existe “mais ou menos” salvação para as pessoas; que o fundamento da salvação não está na resposta de cada um – passa por isso – mas se fundamenta no amor gratuito de Deus por cada um, não interessando a hora que se faz a experiência com o amor d’Ele.

Precisamos descobrir o nosso lugar na Igreja e entrar para o serviço do Senhor, pois todos temos muito o que fazer, principalmente ser nesta grande vinha, que é o Reino de Deus. É inadmissível que ainda existam tantas pessoas sem ter o que fazer, sem estarem ocupadas com o anúncio do Reino de Deus.

Trabalhemos exaustivamente para agradar o coração de Nosso Senhor; trabalhemos para a Sua maior glória, sem esperar recompensas. Quem busca recompensas – como os empregados das primeiras horas – sempre se frustrarão, pois tudo que recebemos e temos é pura dádiva de Deus e não fruto de nossos méritos.

Nós nos sentimos chamados pelo Senhor? Descobrimos nosso lugar nesta grande vinha que é a Igreja? Se estas respostas são positivas é sinal de que ainda nos falta uma coisa: jamais criarmos expectativas quanto àquilo a que temos direito. Por quê? Porque somos amados não por aquilo que fazemos e o quanto fazemos, mas por aquilo que somos: filhos e filhas de Deus, amados por Ele. Trabalhemos, então, com muito amor, pois amor com amor se paga.

Na vinha do Senhor, que é a Igreja, ninguém está autorizado a ficar fora. Nem que entremos na última hora, mas que entremos; entremos para ficar e tomar o nosso lugar e para ajudar a outros a descobrirem seu lugar. São muitos os convidados, mas muitos não têm tempo; estão ocupados com muitas coisas. Que pena, pois tudo nos será tirado, menos a melhor parte, aquela que Maria de Bethânia escolheu: a fé – como fruto de um estar constantemente sentado aos pés do Mestre para escutá-Lo.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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