11 fev 2017

Escutar Deus e romper com o pecado

Rompamos com o pecado para voltarmos a Deus

O Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi” (Gênesis 3,9-10).

Nós estamos acompanhando, na liturgia desses dias, o livro dos Gênesis, cuja primeira leitura está se referindo ou trazendo para nós o início de todas as coisas, desde a criação do mundo. Hoje, nós nos detemos, a partir de ontem inclusive, neste texto que traz para nós o início do mal e do pecado.

Adão e Eva, símbolos dos nossos primeiros pais, início da vida humana, desobedeceram a Deus e caíram no pecado. A primeira coisa que precisa ser dita é justamente isso, não é a desobediência por simplesmente desobedecer, mas é desobedecer por deixar de ouvir.

A palavra “obediência”, em latim significa oboedire (ob “a”; audire “ouvir”), ou seja, a capacidade de ouvir com atenção. Quando um pai fala para uma criança, ela pode até escutar o que ele falou, mas não o ouviu. Ouvir é captar e praticar. Quando você diz: “Meu filho, não faça isso”, ele escutou você falar, mas não ouviu interiormente que não devia fazer isso. Ele faz e você sabe a consequência.

Quando a criança faz algo errado, é igual a Adão! A primeira coisa: medo. Quando fazemos alguma coisa errada, isso gera medo em nós. Então, procuramos fazer o quê? Esconder as coisas erradas que fazemos, colocando-as debaixo do tapete, fingindo que nada aconteceu e assim por diante.

Nosso primeiro erro, no entanto, está justamente em não saber ouvir, não saber escutar aquilo que, de fato, Deus está nos falando. Pecado não é outra coisa senão perder a capacidade de escutar Deus. Por que o mundo peca? Por que as pessoas pecam? Por que nós pecamos? Porque deixamos de ouvir Deus.

Sabemos o que não deve ser feito, mas fazemos, porque perdemos a comunhão, a comunicação com Deus; e o pecado é esse rompimento da nossa comunhão e da nossa comunicação com o Senhor.

As consequências estão aí: afastamo-nos de Deus. Ele não se afasta de nós, assim como não se afastou de Adão; pelo contrário, Ele veio ao encontro de Adão, este que correu, ficou com vergonha, fechou-se no seu medo; mas Deus tomou a iniciativa de nos salvar, de nos resgatar todas as vezes que caímos.

Permita-me dizer uma coisa ao seu coração: não rompa a comunicação com Deus, pois todo pecado é rompimento, todo pecado é barreira, todo pecado é uma comunicação mal feita. Se dentro de nós estávamos vivendo situações pecaminosas, é porque estava faltando a comunhão com Deus naquela situação, e essa comunhão não pode ser rompida.

Quando essa comunhão é rompida por nós, Deus toma a iniciativa de vir atrás de nós, mas corremos, escondemo-nos d’Ele. Precisamos assumir: “Não, eu realmente falhei, eu pequei, eu errei, eu fiz o que não era para fazer, mas eu quero voltar”.

O pecado não atinge Deus, ele atinge cada um de nós, ele nos quebra e quebra a nossa relação, a nossa comunhão com o Senhor. Deus, ao tomar a iniciativa, quer nos levantar, quer nos reerguer, mas é preciso que nós O encaremos do jeito que somos e do jeito que estamos, porque podemos até pensar que enganamos Deus, mas é uma ilusão, pois enganamos a nós mesmos.

Com Deus não podemos disfarçar, Ele nos conhece mais do que nós mesmos nos conhecemos. O que precisamos é nos assumir e pedir: “Senhor, restaura! Senhor, restabelece a comunhão que quebrei por causa do meu pecado, com a minha falha, com aquilo que eu fiz”.

Deus nos quer restaurados, Ele nos quer curados. Deus nos quer em comunhão com Ele.

Que o Senhor abençoe você!

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