10 abr 2013

Em Jesus, o humano se une ao divino e ao eterno

O tema central do Evangelho de João é a presença do Filho Unigênito de Deus no mundo, para que este seja salvo por Ele. Jesus é o único que desceu do céu para dar a vida eterna a todos que crerem n’Ele.

A salvação, como foi projetada, está associada diretamente à redenção do homem, a qual equivale ao pagamento de um resgate por alguém escravizado e condenado graças à Encarnação do Verbo.

No prólogo do seu Evangelho, João nos mostra como Deus manifestou o Seu amor para conosco. A Palavra que em Gênesis 1,1 criou todas as coisas, veio habitar entre nós tomando a carne humana, pois a Encarnação do Filho de Deus se faz num processo normal de gestação – embora a Sua concepção fosse por ação do Espírito Santo.

A condição humana é assumida por Deus desde o ventre materno de Maria. Em Jesus, o humano se une ao divino e eterno. Quem crê no Senhor participa da Sua condição divina e eterna. Crer em Cristo é unir-se a Ele na prática da Verdade, isto é, de tudo aquilo que está conforme a vontade do Pai. É por isso que Lucas, descrevendo a vida da Igreja primitiva, diz: “Aqueles que abraçaram a fé tinham ‘um só coração e uma só alma'”.

Quer dizer, o homem iluminado pela luz pascal une-se totalmente a Cristo que se fez “um com o Pai”, cumprindo e fazendo a Sua vontade. N’Ele opera-se um contraste, porque assim como Cristo vive, ele também viverá, embora esteja ainda vivendo no Seu corpo mortal. Estabelece-se, destarte, os contrastes: vida e morte, luz e trevas, frequentes no Evangelho de João. Trevas é ausência de luz. Onde chega a luz, as trevas desaparecem. Assim também a vida e a morte. Onde chega a vida, a morte desaparece. Na comunhão com Jesus, na prática da vontade de Deus, na verdade e na justiça, promovendo a vida plena para todos, goza-se da vida eterna.

Ao não encontrar, na terra, quem pudesse pagar, com a própria vida, o preço do resgate do homem de seus pecados, Deus enviou o Seu único Filho para que o fizesse, livrando, assim, a humanidade da condenação eterna. Desta forma, o Senhor dá prova do Seu amor para conosco: “Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5,8).

Senhor, dai-me uma fé viva que me faça abandonar as trevas do meu coração e da minha mente, a fim de que, iluminado pela vossa Palavra, eu não morra nos meus pecados, mas tenha a Vida Eterna. Amém.

Padre Bantu Mendonça

Comentários