28 ago 2010

Eis o maior talento que temos: a vida

Mateus, no Evangelho de hoje, ao escrever à sua comunidade e a cada um de nós, tem o interesse de nos apresentar um Deus que não está interessado naquilo que fazemos, mas naquilo que somos; ou seja, muitas e muitas vezes ouvimos, a partir desta palavra, coisas erradas na tentativa de explicá-la, dizendo que somos amados por Deus se dermos bastante lucro à vivência da nossa vida, se fizermos render os talentos que Deus nos deu. O centro da parábola não é o rendimento, mas a confiança que temos de ter em Deus e o medo que somos chamados a fazer desaparecer da nossa vida, pois este faz com que venhamos a enterrar o maior talento que temos: a vida.

Os dois primeiros fizeram render os talentos que receberam; todavia, o rendimento foi consequência da atitude que tiveram na vida, ou seja, atitude de confiança em Deus. Sabiam que a qualquer momento poderiam perder tudo, a começar por aquele único talento que todos os três receberam: a vida – o maior deles. Os dois primeiros, não ficaram no medo; confiaram. O terceiro homem, deixou-se tomar pelo medo e, contagiado por este, caiu na principal armadilha do demônio, comparando-se com os outros dois.

Meu Deus, como presenciamos pessoas que perderam o sentido da vida! Estão tomadas por medos e perderam a razão de continuar a viver. Por quê? Porque resolveram se comparar às demais pessoas. Quem se compara, se “coisifica”, pois só é possível compararmos coisas e não pessoas. Cada pessoa traz em si um princípio, chamado individualidade, ou seja, para dizer que cada um é único nesta vida, irrepetível!

O terceiro homem da parábola se comparou com os outros dois e perdeu o desejo pela vida, pois se “coisificou”, sentiu-se diminuído e, por isso, resolveu enterrar a sua vida e deixar de viver. Agora entendemos por que tantas pessoas se encontram no buraco, sem perspectiva de vida; pois a enterraram!

Outro motivo que fez o terceiro servo enterrar o talento: o medo. Interessante percebermos que há remédios para depressão, para a ansiedade, e para vários problemas físicos e psíquicos para o ser humano. Mas você já percebeu que não existe remédio para o medo? Interessante! O medo é a arma do demônio para afastar o ser humano de Deus. Este terceiro servo da parábola representa cada um de nós, muitas e muitas vezes. Possuímos uma falsa imagem e ideia de Deus, porque achamos que Ele é um ser ausente, longe, sentado num trono, observando cada um de nós com caneta e papel na mão, registrando os nossos defeitos e pecado. O que é bom não é registrado; só o que é ruim. Na hora de comparecermos diante d’Ele, o Senhor, com a cara barbuda e brava, vai nos passar o relho. O demônio foi colocando isso em nossa cabeça, por isso fomos criando uma visão distorcida de Deus.

Um Pai tomado de amor, compaixão e ternura por cada filho, presente em nossa vida, mais íntimo de nós do que nós mesmos. Quem possui uma visão doentia de Deus – como o terceiro servo – acaba adoecendo e, doente, enterra a sua vida (o maior talento) num imenso vazio.

Que o Senhor nos cure de toda forma de insegurança, de todo medo, de toda desconfiança em Deus e na Sua Palavra. Que a confiança seja a maior graça vivida no coração de cada um de nós. Confiemos, pois a esperança não decepciona. A fé é a certeza acerca daquilo que não se vê.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

Comentários

Outubro

51%

Confira a revista deste mês
Pai das Misericórdias

Pedido de Oração

Enviar
  • Aplicativo Liturgia Diária

    Com o aplicativo Liturgia Diária – Canção Nova, você confere as leituras bíblicas diárias e uma reflexão do Evangelho em texto e áudio. E mais: você ainda pode agendar um horário para estudar a palavra por meio do aplicativo.


  • Comentários