26 nov 2012

É preciso partilhar o Deus que trazemos dentro de nós

Hoje aprendemos de Jesus o verdadeiro valor das coisas materiais. Parado à porta do Templo, Jesus observava o comportamento das pessoas que chegavam para participarem do culto. Perto de Jesus estava uma caixa para a coleta das ofertas que serviriam para a manutenção do Templo e, para socorrer os que estivessem necessitados. Ali, cada um colocava a sua contribuição livremente, de acordo com a sua vontade.

Percebeu então Jesus, que muitos ricos depositavam boas quantias e que os pobres também contribuíam. Uma viúva pobre, por fim, aproxima-se do cofre e deposita duas únicas moedinhas que tinha em sua bolsa. Jesus, após o culto, chama os seus apóstolos e lhes diz: “Em verdade vos digo que essa pobre viúva ofertou mais do que todos. Pois todos eles depositaram, como oferta feita a Deus, aquilo que lhes sobrava. Mas a viúva, na sua pobreza, ofertou tudo quanto tinha para viver”.

Desta lição concluímos que a doação tem que representar, verdadeiramente, a vontade do nosso coração. Às vezes, sentimos muito quando presenciamos certas cenas que nos chocam, devido ao tamanho do sofrimento que nosso irmão possa estar passando. Em vários locais que frequentamos, não estamos livres  de presenciar a dor e o sofrimento que deprimem e sufocam pessoas como nós. Porém, as adversidades da vida, o que presenciamos, dói muito na carne e no espírito daqueles sofredores.

Ficamos horrorizados, condoídos e com muita compaixão, mas, mesmo chegando até às lágrimas, a maioria, enxugando os olhos e limpando a garganta, sai abatida e com muita dor no coração, porque mesmo não estando naquele estado, leva uma vida muito apertada, com muita luta e coragem, conseguindo sobreviver e, mesmo tendo poucos recursos, sempre são os que mais ajudam.

No entanto, a minoria, privilegiada, ignora aqueles sofredores e até lastimam aquele quadro que enfeia a sua cidade; que mancha o bom nome que ela tem. Mas, com raras exceções, procuram ajudar àqueles desfavorecidos, mesmo tendo dinheiro e posição social que pode lhes dar condições de acionar as autoridades, para conseguir mudar o tratamento destinado àqueles que nada têm. Gastam, gastam, gastam… Mas não gostam de partilhar.

Por isso Jesus fala que os ricos deram do que lhes sobrava. Isso não é dar com amor. É preciso partilhar. Não basta ter “dó”. Não basta chorarmos compadecidos, como muitos fazem  nos velórios: abraçam e deixam uma mensagem para os parentes e, depois, falam mal dos defuntos, comentando sobre a sua vida.

Isso não muda nada na vida dos que sofrem as marcas de um esquema social que os coloca à margem dos planos dos que dirigem esta e outras nações que têm os mesmos problemas no mundo inteiro. Com auxílio material, com boa vontade – de os ouvirmos e falarmos com carinho e muito amor cristão – alguma coisa sempre se pode fazer. É preciso partilhar o Deus que trazemos dentro de nós com aqueles que encontramos nas esquinas da vida.

Que triste alguém que vem à casa do Senhor e tem a sua oferta rejeitada, porque com Deus não se pode barganhar. Ou se oferece a oferta, a adoração, de coração e com a vida ligada a Ele; ou então melhor que nem se ofereça!

O que essas pessoas não entendem, é que Deus nunca precisou – e nem precisa! –  de recursos puramente humanos para levar a sua Palavra, para levar a sua Igreja por esta terra, por nossa era. Mas o que Ele sempre procurou – e procura ainda hoje – são os verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e verdade.

Ele sempre procurou corações abertos que não se rendam às coisas desse mundo, mas que se dediquem a Ele em todos os momentos da vida. O Senhor nunca se preocupou com a quantidade da oferta, mas sim com a qualidade dessa.

Era só aquilo que a viúva possuía, e foi para essa oferta que Deus atentou. O que temos para oferecer ao Senhor? Ofereçamos de todo o coração, para que a nossa oferta possa chegar com um odor suave diante do nosso Deus!

Padre Bantu Mendonça


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