09 abr 2010

É o Senhor!*

O Evangelho de hoje tira-se do apêndice do quarto Evangelho e relata uma aparição de Cristo ressuscitado a seis dos Seus discípulos às margens do lago de Tiberíades ou mar da Galileia, ao amanhecer de uma noite de pesca infrutuosa. Mas, seguindo as indicações de Jesus, a rede encheu-se de peixes. E embora fossem tantos, a rede não se rompeu ao ser arrastada até à margem, onde os esperava Jesus com pão e um peixe sobre as brasas, convidando-os para comer.

Nesta aparição do Senhor, às margens do lago, compreendidos os dois momentos: pesca e refeição, verificam-se todas as constantes das aparições pascais do Ressuscitado, exceto uma. Efetivamente, a iniciativa é de Jesus, que não é reconhecido de imediato pelos discípulos, mas depois, graças a uma palavra ou gesto Seu e mediante um processo gradual de fé.

Este processo é iniciado nesta ocasião “pelo discípulo que Jesus tanto amava”, João, que diz a Pedro: “É o Senhor!” Certeza essa de que participam a seguir os outros cinco discípulos ali presentes. “Senhor” é o título que a fé pascal da comunidade cristã primitiva deu a Cristo ressuscitado.

Mas à primeira vista falta uma das características das aparições de Cristo ressuscitado, isto é, o envio missionário. Dizemos à primeira vista porque, de fato, a missão está indicada no simbolismo missionário da barca, da pesca, da rede e dos peixes. Pormenores todos eles que apontam para a missão universal da Igreja, herdada de Cristo e iniciada por aqueles a quem Jesus constituiu “pescadores de homens” e que agora trabalham comunitariamente e veem como transborda de peixes a sua rede.

A Igreja missionária, que tem presente o aviso de Cristo na comparação da videira e dos ramos: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Porque, porém, estava ausente Jesus e o Seu mandato missionário: “Lançai a rede”, resultou que ficaram vazias as redes dos apóstolos na primeira tentativa.

Igualmente, a refeição fraterna que se seguiu à pesca deve entender-se em termos de chave Eucarística. É o segundo nível de leitura do Evangelho de hoje. Quando os discípulos despejaram a rede, que não se rompe apesar do grande numero de peixes – pormenor que acentua a unidade da Igreja dentro da sua plural universalidade -, Jesus convida-os a comer do pão e do peixe que Ele lhes preparou sobre as brasas, assim como dos peixes que acabam de pescar.

A todos nós diz Jesus neste dia da Páscoa: ”Lançai a rede”, isto é, ”estai a serviço da minha missão redentora entre os vossos irmãos, os homens”. Para esta missão nos remete à Eucaristia que continuamente celebramos em nossas comunidades.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. p. 185-186. Paulus: 2000.

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