11 mar 2012

Embelezemos a casa de Deus com a prática das virtudes

Jesus, sabendo o que os judeus pensavam e faziam no templo e na festa da Páscoa, levanta-se e dá um novo direcionamento daquilo que seria a verdadeira adoração e pureza; sobretudo, a nova relação com o verdadeiro Templo. Assim, no Evangelho de João, Jesus denuncia o sistema deste lugar como negação do projeto de Deus.

Com a expressão “a Páscoa dos judeus”, João nos dá a conhecer, veladamente, que esta não é a festa de Jesus. A verdadeira Páscoa não consiste no que eles faziam. Então, vejamos: Jesus está em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Muitos crêem n’Ele, porque viram os milagres que Ele fazia. Mas o Senhor não confiava neles, pois os conhecia muito bem. Ninguém precisava Lhe falar sobre qualquer assunto, pois Ele sabia o que cada um pensava.

No episódio da expulsão dos vendilhões do templo de Jerusalém, ao se referir à Sua ressurreição, Jesus deixou claro que Ele era o “Templo novo e definitivo”. Depois de Sua vitória sobre a morte, ressuscitando imortal e impassível, Seu corpo – sinal da presença divina neste mundo -, conhecendo um novo estado transfigurado, permitirá Sua presença em todos os lugares e em todos os séculos por meio da Eucaristia.

Do antigo templo de Jerusalém nada restará e a destruição da cidade de Davi – no ano 70 – será o sinal de que a casa projetada por Davi e edificada por Salomão haverá cumprido sua missão profética. São Paulo captou essa mensagem de maneira maravilhosa e, em suas cartas, demonstrou que o cristão é ele próprio, “templo de Deus”, por ser membro do Corpo de Cristo.

O apóstolo diz aos coríntios: “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo?” (1Cor 6,15) e explicará aos efésios que os batizados são “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor. É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus” (Ef 2,20-22). Se Jesus exigiu respeito ao templo edificado pelos homens, muito mais Ele requer acatamento para com a casa espiritual que é o Seu seguidor: “Se alguém destruir o templo de Deus, o Senhor o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado – e isto sois vós” (1Cor 3,17). Indaga, então: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (1Cor 6,19).

Cumpre, portanto, a cada batizado embelezar esta “casa de Deus” com a prática das virtudes. Aí está o alicerce para um namoro e casamento cristão e santo, a base do respeito ao próprio corpo, o fundamento para a fuga da bebida, das drogas e de qualquer imoralidade. Para tanto, é preciso muita oração e mortificação, é preciso fazer tudo com amor a Deus e ao próximo. É deste modo que o cristão se torna testemunha viva de Cristo ressuscitado, fortificando-se, a cada hora, com a Palavra do Senhor.

A luta é grande, mas nunca se deve esquecer o que disse Jesus a São Paulo: “Minha graça te basta” (2Cor 12,9). Eis por que o apóstolo podia afirmar: “Pela graça de Deus, sou o que sou, e a graça que ele me deu não tem sido inútil” (1Cor 15,10). Portanto, embora o fato de Deus habitar no interior de cada um seja um privilégio, com o auxílio divino é possível viver em função desta dignidade.

Deus nos propõe constante conversão para a purificação do Corpo de Cristo que somos nós. O templo deve ser purificado de toda sujeira pela água salvadora. O corpo, templo do Espírito, seja também purificado das marcas do pecado neste tempo da Quaresma.

Padre Bantu Mendonça

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