10 nov 2011

Devemos buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça

Jesus não apresenta o Reino de Deus como algo fantástico nem exuberante. Suas palavras são profundas e simples: “o Reino de Deus está entre vós”.

No Novo Testamento, a palavra grega traduzida por reino é basileia, que não se refere a um lugar específico, mas ao domínio de um soberano. Nos Evangelhos, o Senhor Jesus usou essa palavra mais de cem vezes. Alguns requisitos fundamentais para fazermos parte deste Reino é a obediência total à vontade de Deus e a consciência da dependência que temos d’Ele. Nós não faremos parte dele apenas no fim dos tempos ou quando morrermos. O Reino dos Céus está disponível a qualquer pessoa neste momento. Porque Deus – em Seu imensurável amor – ofereceu o próprio Filho para sofrer em nosso lugar as consequências dos nossos pecados e, assim, restaurar todas as coisas. Em Jesus o céu e a terra são novamente unidos, isto é, Seu Reino é estabelecido sobre toda a criação.

Somente com a vinda de Jesus se tornou possível estabelecer o Reino de Deus na terra. O Reino que Jesus veio inaugurar no mundo não pertence a esse gênero; ele consiste em abater as barreiras do egoísmo e da exploração para fazer de todos os homens uma só família de filhos de Deus. E a Igreja, desde a sua fundação, não tem feito outra coisa senão cumprir este mandato: que todos sejam um no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

A Lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo vem sendo anunciado o Evangelho do Reino de Deus. E é fundamental que todo homem se esforce por entrar nele. A partir de Jesus, a humanidade passou a ter acesso a uma dimensão espiritual tão diferente que Ele afirmou: “Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele”. Cristo, o primogênito de Deus, demonstrou a autoridade que um filho de Deus tem sobre a terra.

Nós fomos feitos também filhos, por adoção, e podemos ter intimidade com nosso Pai. Em Jesus recebemos autoridade sobre todo o mal. Maior é aquele que está em nós do que o que está no mundo. Nós fomos arrancados do domínio das trevas e transportados para o Seu Reino e agora estamos em luta contra as trevas. O Senhor afirmou que faríamos as mesmas obras que Ele fez – e ainda maiores! – se permanecermos n’Ele e com Ele (Jo 14,12).

Na oração do Pai-Nosso, ao dizer: “Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu”, Jesus deixou claro o Seu desejo de expandir o Reino de Deus sobre a terra. Portanto, esse deve ser o meu e o seu desejo acima de tudo. Devemos buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas. Pois como o mundo está dominado pelo maligno, o avanço do Reino de Deus significa o retrocesso do reino das trevas. Nada que seja contrário ao plano de Deus pode permanecer. No Reino de Deus não há pecado, doenças e nem morte.

A oportunidade de desfrutar do Reino está aberta para todas as pessoas. Porém, a porta de entrada é o arrependimento (cf. Mt 4,17). Muitas vezes, o orgulho e a falsa religiosidade nos impedem e nos distanciam do Reino de Deus. Mas Jesus continua dizendo: “o Reino de Deus está entre vós”. O Reino de Deus é expandido com a manifestação de Jesus pelo Espírito Santo através da Igreja.

Padre Bantu Mendonça

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