30 ago 2011

Deus tem uma missão e um lugar para todos

Estamos diante de um texto que nos remete ao tempo de Jesus. Assim, como bom judeu num dia de sábado, Jesus entra no templo de Cafarnaum e começa a ensinar os Seus discípulos.

Por falta de conhecimento científico, as pessoas daquele tempo viviam numa ignorância a respeito do funcionamento do corpo humano. Isso fazia com que se atribuísse aos demônios algumas enfermidades. Tal fenômeno acontecia, sobretudo, com os transtornos psíquicos, as enfermidades mentais, nas quais o modo de agir do enfermo – gritos, falta de controle dos movimentos, ataques – era o que mais chamava a atenção.

É nesse ambiente que surge o homem que Lucas nos descreve como sendo possuído por um demônio e que, levantando a voz, grita: “Ei, Jesus de Nazaré! O que você quer de nós? Você veio para nos destruir? Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou!”

A palavra louco era o equivalente a dizer endemoniado. Passando a ser o mesmo que dizer impuro, ou seja, possuído por um espírito impuro, o diabo.

O impuro é o que está carregado de forças perigosas e desconhecidas, como o puro é o que tem poderes positivos. Quem se aproxima do impuro, não pode se aproximar de Deus. E por isso todos fugiam deste homem segundo a lei latente no livro do Levítico. À medida que o povo foi evoluindo de uma religião mágica para uma religião de responsabilidades pessoais, essas ideias foram caindo em desuso. E Jesus aboliu de uma vez por todas essa lei. E o que prova isso é que a cerimônia do exorcismo acontece dentro da sinagoga, para fazer entender que também o excluído do povo tinha direito de se salvar porque é filho de Deus. Também ele poderia participar da mesa dos filhos e poderia falar com Deus na oração. É membro do corpo místico de Cristo, é membro da Igreja.

O fato de a cena acontecer no interior da sinagoga é que é nela que se reunia todo o povo aos sábados para orar e escutar o rabino ou qualquer outro que quisesse fazer o comentário dos textos das Sagradas Escrituras que se havia lido. Era um lugar familiar, mais popular e mais leigo, já que nela se podia falar livremente, interromper, e não era necessária a presença de nenhum ministro sagrado. O rabino era um mestre-catequista.

E Jesus aproveita esta familiaridade para incluir o irmão com a expulsão do demônio: “Cale a boca e saia deste homem!” Diante de todos, ao que o demônio obedece e sai.

Sem querer chegar ao conceito puro-impuro dos tempos antigos, muitos enfermos do tipo subnormais, loucos, homossexuais, lésbicas, drogados, adúlteros, alcoólatras etc., estão hoje marginalizados da comunidade. Os sadios se safam deles, querem escondê-los como uma vergonha familiar, não se lhes dão oportunidades de reabilitação para que possam contribuir para a sociedade. São os verdadeiramente “novos impuros”. Qual tem sido a sua posição diante de seu parente que vive nesta situação?

Não se esqueça de que o sinal de Jesus neste Evangelho de hoje é sinal de que a casa de Deus, a comunidade cristã, está aberta também para esses homens e mulheres diminuídos. É sinal de libertação. Deus valoriza e tem para eles um lugar e uma missão. Basta que você lance mão à obra e se converta em verdadeiro discípulo e missionário de Jesus Cristo e a notícia de Jesus se espalhará por toda a parte, fazendo com que haja um só Pastor e um só rebanho no mundo inteiro.

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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