03 nov 2010

Deixamos tudo?

Jesus, diante dos “grandes números”, da “multidão incontável”, fica preocupado. Ele descreve os Seus discípulos – também cada um de nós – como “um pequeno rebanho” (cf. Lc 12,32), como um “pouco de sal” (Mt 5,13), ou de “fermento” (Mt 13,33), como um “grão de mostarda” (Mt 13,31). Não deve causar surpresa, no entanto, se Ele fica admirado por ver que há “muita gente que O acompanha”. Com certeza, Jesus Cristo pensa: “Ou não entenderam nada acerca do seguimento ou não me expressei bem”.

Esta verdade deve nos levar a perguntar – principalmente a nós mesmos – o que leva tantos a seguir ao Senhor Jesus. Qual é a motivação principal para o seu seguimento? Muitos seguem não a Jesus, mas aquilo que Ele pode vir a dar-lhes: saúde, prosperidade, bom emprego, sucesso, fama, status… Quanto àquilo que Cristo pode dar a muitos seguidores, quanto ao fato de seguir Jesus e a consequência disso, poucos O seguem.

Jesus é taxativo: “Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, sua irma e até sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Diante de tamanha exigência, ainda podemos afirmar que tamanha multidão que se diz católica, cristã, é verdadeiramente discípula de Jesus? Ah, meus irmãos! Não subestimemos nossa inteligência, por favor!

A pergunta que não quer calar neste dia é esta: “O que nos motiva para o seguimento de Cristo? É Jesus ou o interesse que tenho por Ele, por aquilo que Ele pode me proporcionar?”. O discípulo de verdade é aquele que segue o Mestre e não o que Ele pode oferecer; quem O segue por interesse é mercenário! Há poucos discípulos e muitos mercenários (aqueles que só fazem algo por interesse e não por amor).

Que palavra tão forte esta: odiar aqueles que nós amamos. O que Jesus quer dizer por odiar, sendo que devemos, segundo Ele próprio, amar e não odiar, principalmente nossos inimigos? Odiar, neste contexto, significa romper até os laços mais íntimos, quando estes constituem um impedimento para o amor.

Quantos se dizem discípulos de Jesus, mas, no entanto, ainda continuam apegados às pessoas, a interesses, a cargos e a suas próprias vontades.

Por isso, antes de nos colocarmos no seguimento de Jesus, nos perguntemos acerca das nossas motivações, ou seja, façamos os cálculos como falou Cristo na parábola. Quantas desistências no meio do caminho! Será por que Jesus chamou de forma enganosa? Será que eu escutei mal? Não, Jesus não se enganou e você não escutou mal. O problema foi a falta de cálculo, ou seja, a decisão de romper com tudo aquilo que coloca Deus em segundo plano, pondo em primeiro plano as pessoas que amamos, nossa própria vida e os bens materiais.

Quando colocamos tudo isso na frente do Senhor no seguimento, tudo está fadado ao fracasso; e o demônio será o primeiro a jogar na nossa cara e na cara de Deus o nosso fracasso. Agora, quando dou o meu ‘sim’, pondo Jesus e Sua vontade como centro, tudo dá certo. Isso não quer dizer que não teremos cruzes, sofrimentos e dificuldades; aliás, quem não quer sofrer, não deve seguir Jesus, pois segui-Lo é o maior ato de amor que existe; e amar dói. O amor começa quando começa a doer a carne; não existe amor sem dor. Não quer sofrer? Não ame.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

Comentários