19 Jun 2010

Confiança na providência*

A algumas pessoas a linguagem de Jesus, no Evangelho de hoje, pode parecer-lhes de um excessivo romantismo, pouco realista e próprio de um sonhador ébrio de poesia. Contudo, Cristo nunca falou como um sonhador, tampouco o faz hoje, embora seja evidente que a hierarquia de valores  estabelecida por Ele se choca frontalmente com a sabedoria dos nossos “sensatos” critérios.

A atitude do cristão frente ao dinheiro e aos bens materiais, isto é, o empenho que Jesus assinala para o que O segue, põe à prova a nossa fé e confiança em Deus. O dinheiro significa segurança e uma garantia econômica muito de acordo com a nossa psicologia. Temos fome de seguranças de todo tipo, também espirituais; por isso esta nossa corrida frenética, cada vez maior, de ter e possuir.

Não obstante, uma obsessão de segurança total se choca com a fé; esta será sempre risco, aventura e atitude de peregrino em marcha pela vida. O que faz com que não estejamos a salvo dos imprevistos de uma insegurança temporal, embora compensada amplamente por uma garantia superior de outro tipo. A confiança e o abandono nas mãos de Deus, atitudes que Jesus nos pede que tenhamos hoje, é fé n’Aquele a quem servimos por amor e por quem nos sentimos amados. Deus Pai sabe muito bem que necessitamos de muitas coisas para a subsistência diária, que se fundamenta no dinheiro e nos bens adquiridos por ele. Por isso Cristo nos ensinou a rezar: “Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia”.

Esta confiança no Altíssimo não é alienante, ou seja, não nos exime da nossa responsabilidade nas tarefas temporais, não nos permite dormir a sesta nem nos desinteressar do nosso compromisso cristão no mundo. A procura do Reino de Deus não exclui o desenvolvimento humano e temporal, antes o está pedindo. O homem é o colaborador da obra do Criador no mundo, cujos recursos têm destinatário universal: toda a pessoa de qualquer raça, credo e cultura.

Hoje devemos fazer um exame pessoal e comunitário, orientado para a conversão de atitudes, de mentalidade e de conduta de acordo com os critérios e exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Qual é o Deus a quem prestamos culto? É urgente uma opção ao dilema inicial: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. A proposta de Cristo é clara: Livres da angústia existencial e da febre possessiva, procuremos antes de tudo o Reino de Deus e a Sua justiça; o resto ser-nos-á dado por acréscimo.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia; p. 393-394. Paulus: 2000.

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