21 out 2011

Com o tempo Deus responde as nossas interrogações

Jesus lamenta que os seus ouvintes sejam capazes de interpretar os sinais do tempo, mas não captem os “sinais dos tempos” que representam a chegada do Reino de Deus entre eles. Não descobrem n’Ele e em seus sinais a importância do momento em que vivem.

Jesus repreende seus contemporâneos que sabem distinguir os sinais meteorológicos, mas não o sinal que Ele mesmo é: o Filho Unigênito enviado pelo Pai para salvação de todos. Compreender o tempo em que vivemos é compreender as intenções de Deus que, em todo o tempo, sobretudo pelo mistério da Igreja e dos sacramentos, torna atual o mistério de Jesus com toda a sua eficácia salvífica.

Saber fazer previsões do tempo, analisando os dados da meteorologia, implica uma atenção interessada. Se não estivermos realmente interessados e atentos para nos darmos conta da importância do tempo para nele exercer a justiça e a caridade, corremos um sério risco. Há que se reconciliar radicalmente com aqueles com quem estamos em conflito. Caso contrário, podemos cair no redemoinho do “não perdão”, do qual não sairemos sem danos. É como se Jesus apontasse o sinal do tempo por excelência que é Ele mesmo, como sinal de salvação, mas só para quem se compromete a viver como reconciliado, isto é, na paz, na justiça e na bondade.

É na história que podemos compreender as intenções de Deus e não fora dela. Daí a atenção que devemos dar aos sinais dos tempos. Deus atua dentro do tempo. É também no tempo que responde às nossas interrogações. Quantas vezes Lhe fazemos perguntas na oração e encontramos as respostas na vida!

É, pois, no tempo que havemos de ler os sinais de salvação e de perdição. O sinal de salvação por excelência é sempre Cristo com o seu mistério pascal. Ele nos salva à medida que, lendo os sinais dos tempos e confrontando-os com a Palavra, deixamos que ela mesma – a Palavra – produza frutos em nós e no nosso tempo. Pondo em prática a Palavra, permitimos a Deus fazer muito mais do que podemos esperar.

Um dos sinais do nosso tempo é a chamada globalização, em que passamos de um mundo dividido e fragmentado àquilo a que M. McLuhan chamou de a «aldeia global». Os meios de comunicação, que podem ser instrumentos de divisão e guerra, também podem e devem tornar-se instrumentos de união e de paz. Para isso, todos os homens de boa vontade – e particularmente nós, os crentes – hão de superar a tentação do individualismo que fragmenta e dá espaço à unificação da pessoa e à união entre os homens.

Como crentes temos a certeza de que Cristo habita no nosso coração e que, fundados e radicados na sua caridade, podemos ser repletos da plenitude de Deus e alcançar a unificação do coração e de todas nossas faculdades e forças, a unificação da nossa pessoa. São Paulo nos indica os meios para isso: a humildade, a mansidão, a paciência e o suportar amoroso de nossas índoles.

A chave que temos ao alcance das mãos, para contribuir para a unidade entre os homens, é procurar tudo o que une e deixar de fora tudo o que divide, como dizia e fazia João XXIII. Com essa chave chegaremos à unificação pessoal, comunitária, eclesial e social. Vivendo e realizando esse projeto, o nosso tempo – que está sob o signo de Jesus – tornar-se-á um tempo de claridade, iluminado pela luz da salvação.

Muitas vezes temos um coração duro. Não sabemos olhar em profundidade e não descobrimos (ou não queremos descobrir) o sentido dos acontecimentos; inclusive, olhamos para o outro lado se o que vemos nos compromete.

Pai, corrige a negligência que me impede de entregar-me inteiramente ao Senhor sem demora. Torna-me hábil para as coisas do Seu Reino. Cura a minha cegueira, Senhor, e dê-me a luz do Seu Espírito para ver a profundidade das pessoas.

Padre Bantu Mendonça

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