18 fev 2011

As três atitudes do discípulo

O discipulado comporta três atitudes radicais. Tudo começa com a renúncia de si mesmo. É preciso abrir mão dos projetos pessoais e submetê-los às exigências do Reino de Deus; romper com o próprio egoísmo, responsável por fazer o indivíduo ensimesmar-se e colocar o próximo e suas carências no centro de suas preocupações. Deixar de lado os preconceitos e as formas de pensar que não estão de acordo com o projeto do Reino. Positivamente, a renúncia do discípulo supõe aceitar a liberdade própria do Reino, que lhe descortina um horizonte infinito de possibilidades de amar e fazer o bem.

O passo seguinte consiste em tomar a sua cruz. Ou seja, ser capaz de enfrentar as consequências de sua opção, sem se intimidar ou deixar o entusiasmo inicial se arrefecer. A cruz do discípulo é a cruz do testemunho verdadeiro de sua fé que, ao defrontar-se com a iniquidade, provoca reações de hostilidade, cujo ápice é a morte cruel e violenta. É também a cruz do desprezo, da rejeição, da zombaria e da exclusão por causa da fidelidade ao Reino e pela coragem de não pactuar com as solicitações do mal.

Por fim, o discípulo está em condições de aceitar o convite “siga-me”, e fazer do caminho de Jesus seu próprio caminho e do projeto d’Ele seu próprio projeto. Quem perde a própria vida, acaba encontrando a verdadeira vida, a qual Cristo tem para oferecer.

Jesus foi bem claro quando nos revelou qual a condição para que sejamos Seus discípulos: renunciar a nós mesmos (as) e tomar a nossa cruz a fim de segui-Lo. À primeira vista a expressão de Jesus é muito dura, porém, se nós pararmos para meditar na profundidade de Suas palavras iremos descobrir que aí há uma promessa de salvação incontestável. O Senhor nos garante o fim de toda a nossa luta para nos salvar: basta apenas que nos ponhamos a segui-Lo sem querer tomar para nós a responsabilidade de, sozinhos, conquistarmos a felicidade eterna.

A renúncia a nós mesmos implica a abdicação das nossas opiniões próprias, dos nossos julgamentos e “maneira de ver as coisas”. Renunciar a si mesmo é não seguir a própria razão humana que não entende as coisas de Deus. É deixar-se conduzir com segurança e libertar-se de si mesmo para ganhar a vida. Seguir a Jesus é seguir os Seus ensinamentos abandonando as sugestões que o mundo dita e tudo o que a nossa carne decaída projeta. Se tomarmos o rumo contrário nunca poderemos ser discípulos (as) de Cristo. Tomar a cruz significa passar pelas dificuldades assumindo os encargos e não querendo fugir das responsabilidades por causa do sofrimento.

Muitas pessoas hoje estão preocupadas com os males do mundo moderno e querem por força e de qualquer maneira se livrarem do que consideram desgraça. Não querem se expor nem assumir compromissos e fogem dos encargos que podem pesar sobre os seus ombros. Quem não quer sofrer pouco, acaba sofrendo muito e toda a pessoa que quer se livrar de qualquer maneira dos seus percalços está procurando salvar a sua própria vida. Não tem vergonha de Jesus aquele ou aquela que tem coragem de assumir publicamente as suas dificuldades confiando no livramento d’Ele.

Você é daquelas pessoas que polemizam a Palavra de Deus e dão a sua própria interpretação segundo lhe convém? – Você tem usado de algum método ou meio contrário ao que Jesus ensinou? – Você tem feito mais para ganhar a vida ou para ganhar o mundo inteiro? – Você tem medo de enfrentar barreiras e de assumir compromissos? Você se envergonha de falar de Jesus no meio em que você frequenta?

Pai, transforma-me num seguidor fiel de Jesus, que saiba carregar a própria cruz e pôr-se no seguimento d’Ele, mesmo devendo suportar humilhação e até a morte.

Padre Bantu Mendonça

Fonte: Retirado do Blog do padre Bantu

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