25 ago 2010

Arranquemos as máscaras!

Neste Evangelho, que hoje a Igreja nos apresenta, nos é narrada uma palavra muito dura; e a dureza dessa palavra é a única força capaz de nos curar verdadeiramente. Para dizer que todos trazemos dentro de nós realidades de hipocrisia, ou seja, queremos sempre apresentar alguém aos outros, que, na verdade, gostaríamos de ser, mas ainda não o somos. Esta é a verdade de cada um de nós.

O que gera a hipocrisia é o medo que trazemos de não ser aceitos por Deus e pelos outros; para sermos aceitos e quistos, colocamos máscaras, fantasias, instrumentos estes que nos trazem uma imagem, a qual agrada a pessoa que  nos vê. O problema é que as pessoas passam a conhecer a nossa imagem e não a nós mesmos. E um dia essas máscaras cairão!

Enquanto agimos com hipocrisia, vamos pondo panos quentes sobre nossas feridas e traumas. E nunca seremos curados se não tomarmos a decisão de nos amarmos, de nos assumirmos e amarmos essas enfermidades.

Mas o que significa amar nossas enfermidades? Significa entender que essa ferida é o canal que Deus usará para se encontrar conosco; ela se tornará o ambiente de nosso encontro com o Senhor. Então, depois de ter mos feito a experiência do amor de Deus, teremos condições de trazer cada pessoa necessitada de cura para este lugar, pois saberemos que ali o Senhor vai querer se encontrar com a pessoa ferida e machucada.

Quando passamos por esta experiência, tudo fica diferente. Em vez de julgar e condenar a pessoa ferida – atitude característica do hipócrita e do fariseu – passamos a nos compadecer dela. Só julga e condena quem é fariseu, hipócrita, aquele que mente, o mascarado; ele, podre, reclama e aponta o mau cheiro do outro. Todavia, aquele que estava doente, quando curado – pois arrancou as máscaras da hipocrisia, se compadece do irmão e passa a não olhar mais para a ferida deste, mas para a sua necessidade de amor e de cura.

A hipocrisia é fruto do amor não experimentado por Jesus; quem faz uma profunda experiência de  Cristo, do Seu amor, este nunca mais precisará mendigar amor, ou seja, não dependerá do amor dos outros – do falso amor – na ilusão de que será feliz. Carência gera escravidão, mentira, pois quem está nessa situação sempre terá de mentir: usar mascará apropriada para cada pessoa e situação. Todavia, quem é amado por Jesus, não mendiga amor; é livre. Logo, nunca precisará mentir e se travestir para poder receber um pouco de amor, reconhecimento, status… Que pobreza!

A hipocrisia é a pior doença que existe, pois ela desfigura, arranca a identidade mais profunda do ser humano; a pessoa deixa de viver e de ser o que ela é para viver a vida e a vontade dos outros; ela nunca é livre! É escrava de tudo e de todos.

Quem ama, ama o outro a partir do que ele possui de pior. Então, não tenhamos medo de nos apresentar como somos diante dos outros, a começar diante de Deus. Aliás, o grande filtro capaz de filtrar os nossos relacionamentos se realiza quando nos apresentamos por inteiro diante de quem se aproxima de nós; nesse momento, só fica ao nosso lado quem nos ama. O resto, some!  Por outro lado, quando queremos nos apresentar como se fôssemos as melhores pessoas do mundo, sem defeitos, carentes, querendo agradar a todos; estas pessoas vão nos sugando, se aproveitando de nós, vão se amando em nós, e quando viermos a precisar delas, elas se afastarão de nós, pois descobrirão nossos defeitos e problemas que sempre procuramos esconder delas.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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