14 maio 2010

'Amai-vos como eu vos amei'

Hoje celebramos – em toda a Igreja e com toda a Igreja – a festa do Apóstolo São Matias, escolhido para completar o grupo dos Doze Apóstolos, no lugar de Judas Iscariotes. Como os outros devia também testemunhar a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em oração pedem que o Senhor lhes mostre quem seria o escolhido e a “sorte” caiu sobre ele [Matias], que assumiu sua missão e ajudou a firmar a Igreja nascente. É bonito ver este momento, no qual a Igreja em comunhão se coloca diante do Senhor e pede Sua luz para o discernimento necessário. A Igreja do primeiro século tem muito a nos ensinar (Cf. Deus Conosco, p. 14).

A maior graça que recebemos no dia de nosso batismo é ser concebidos, em Deus, como Seus filhos adotivos. Deixamos de ser simplesmente criaturas, para, também, nos tornarmos filhos de Deus de modo a podermos e devermos chamar – tratar – Deus de “Pai”, “Papaizinho”. Na verdade, por pura iniciativa do Todo-poderoso, Ele nos trata, não como servos, mas como amigos. E o que é um amigo, senão aquele em quem podemos confiar e contar; aquele que nos conduz para Deus por ser amigo de Deus; aquele que não nos abandona, mas nos segura nos momentos em que titubeamos?

O mandamento de Jesus é desafiador para cada um de nós: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Que desafio! Como amar o outro como Jesus nos amou e nos ama? Muito mais do que nos preocuparmos em amar, devemos nos ocupar na forma correta de viver este amor. Santa Terezinha do Menino Jesus “revoluciona” a Igreja ao descobrir sua vocação específica dentro de um estado de vida específico, ou seja, dentro da vida religiosa ela descobre o específico do seu chamado: “No coração da Igreja eu serei o amor”. Num primeiro momento, percebendo na frase desta santa,  vemos um teor muito poético; mas, na sua vida, vemos a tradução destas palavras em vida concreta. Para a vivência deste amor, a grande santa francesa nos ensina que devemos viver uma teologia das pequenas coisas,  viver o amor nas pequenas coisas do dia a dia. Gosto de dizer e repito – especialmente para mim: coisas grandes qualquer pessoa desesperada faz; as pequenas coisas, somente os santos.

Falando em amor nas pequenas coisas, tenho percebido isso na minha vida de forma muito forte e profunda, por meio da qual Deus tem me falado fortemente: nosso sorriso, nosso “bom dia”, nossos gestos, nosso abraço, nosso acolhimento, nossas palavras, nossas atitudes… precisam ter poder de ressurreição na vida das pessoas que conosco convivem. Costumamos viver isso na Canção Nova, entre nós comunidade,  por meio de um bilhetinho, de uma mesa posta para o irmão, para a irmã que vai chegar tarde e cansada, tem poder de ressuscitar uma vocação, uma vida. Nas pequenas coisas…!

O amor de uns para com os outros, como o Senhor nos amou, terá de passar por estas realidades, custe o que custar, necessariamente. Mas será que teremos condições para viver este amor, o amor maior capaz de entregar a vida pelo irmão nas pequenas coisas? Sim, pois Aquele que nos chamou nos capacita. Aliás, não foi nós que escolhemos segui-Lo, mas Ele quem nos chamou. E Aquele que chamou nos capacitará para a missão. Basta nos abrirmos, a exemplo de São Matias.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

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