09 Jun 2010

Alternativa à Lei antiga*

O breve texto evangélico de hoje é fundamental para determinar a atitude Jesus e da Igreja primitiva a respeito da antiga lei mosaica. É este uns dos temas mais difíceis da teologia do Novo Testamento. Os teólogos e moralistas do tempo de Jesus (os sacerdotes e os escribas), assim como os leigos piedosos (os fariseus), tinham feito da lei uma coisa absoluta, um compêndio de toda a sabedoria humana e divina, uma revelação definitiva do próprio Deus e um guia completo e seguro de conduta, dotada de capacidade salvadora para o homem.

A maior parte dos membros da primeira comunidade cristã vinham do judaísmo e eram herdeiros dessa visão totalizante da lei. Foi necessário um doloroso processo de revisão de atitudes e avaliações para entender a passagem da antiga para a nova Lei e Aliança em Cristo. As Cartas de São Paulo e a Carta aos Hebreus, por exemplo, são testemunhas dos difíceis passos desse desenvolvimento.

Era muito importante esclarecer a atitude de Jesus perante a lei mosaica. A isso responde o Evangelho de hoje. Nele Jesus começa afirmando: “Não penseis que vim abolir a lei ou os profetas; não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento”. Entra aqui em jogo um conceito básico no Evangelho de São Mateus: o cumprimento em Cristo de tudo o que está escrito na “lei e nos profetas”, a expressão que resume o Antigo Testamento. Toda lei antiga tinha valor de profecia, cujo cumprimento se verifica em Cristo, uma vez chegada a plenitude dos tempos messiânicos e escatológicos inaugurados na Sua Pessoa e mensagem. É assim que Jesus Cristo eleva a antiga lei mosaica e todo o Antigo Testamento a uma perfeição de plenitude.

Jesus não vem destruir a lei mosaica, efetivamente; mas também não veio consagrá-la como intangível – assim a entendiam os escribas e fariseus – o Senhor, antes, veio dar-lhe com os Seus ensinamentos e conduta pessoal um alcance novo e definitivo no qual se realiza em plenitude a finalidade que a lei pretendia. São Paulo afirma expressamente: “O fim da lei é Cristo, para justificação de todo o que crê”.

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia; p. 375-376. Paulus: 2000.

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