10 Mar 2010

A plenitude da lei*

Jesus diz que não veio revogar a Lei e os profetas, isto é, o Antigo Testamento, mas lhes dar plenitude. Os três versículos do Evangelho de hoje introduzem as seis antíteses do Sermão da Montanha em que Cristo delineia a nova justiça do Reino de Deus, ou seja, a nova santidade e fidelidade. A frase inicial é chave: “Não penseis que vim revogar a lei e os profetas; não vim revogar, mas dar-lhe plenitude”. Daí se compreende a importância do cumprimento da lei em toda a sua extensão, como fez o próprio Cristo, embora criticasse duramente a interpretação que dela faziam os mestres judeus conforme as tradições rabínicas.

A alternativa que Jesus propõe à lei mosaica não é a simples abolição dela, mas uma maior perfeição e exigência, uma fidelidade mais radical, uma santidade mais profunda. A lei nova de Cristo, a lei do Espírito, fundamenta uma moral e uma ética religiosa em dinamismo progressivo, interior, totalizante e de acordo com o ritmo ascendente da revelação.

Cristo é a plenitude da Lei. Esta fidelidade maior é a que Jesus quer do seu discípulo e a que diferencia da comunidade do Antigo e do Novo Testamento, os membros da sinagoga e da Igreja. São Paulo, que se aprofundou no tema da lei mosaica em relação com a fé em Cristo e a sua nova lei, afirma: “O fim da lei é Cristo para a justificação de todo o crente” (Rm 10,4). Cristo foi o cumprimento pleno e a realização acabada da lei e profecias da antiga aliança.

O fato de Jesus colocar a plenitude da lei do Reino no amor, que deve animar toda a vida do discípulo, indica a importância e função da lei em si mesma. A lei é necessária em toda a sociedade ou Estado de direito, como expressão das condições mínimas que tornem possível a convivênvcia e salvaguarda dos direitos humanos; caso contrário, impor-se-ia a lei do mais forte. Também a comunidade cristã tem uma lei de governo no Código de Direito Canônico; mas a Igreja e o cristão sabem que a sua lei primeira e básica é o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O amor sem limites a Deus a ao irmão é a plenitude da lei de Cristo, a nova justiça, a nova santidade do Reino, a nova fidelidade religiosa; porque, resume São Paulo, “amar é cumprir a lei inteira” (Rm 13,10).

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova

*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. p. 131-132. Paulus: 2000.

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