17 Mar 2012

A oração eficaz nasce de um coração humilde, simples e puro

O Evangelho de hoje nos mostra, com clareza, qual é o pensamento de Jesus a respeito da nossa oração, não somente no que se relaciona ao nosso vínculo com os outros, mas, especialmente, diante de Deus que nos conhece mais do que nós mesmos.

Lendo o Evangelho de hoje, fiquei muito feliz, porque acredito que essa mensagem seja capaz de mudar, de forma concreta, a nossa vida, uma vez que passamos a compreender o sentido real e concreto do ato de ser humilde. Podemos ser transformados interiormente e executar gestos no nosso cotidiano que irá nos proporcionar sentimentos bons e alegres.

É interessante verificar os dois tipos de oração. O fariseu nomeia todas as suas observâncias, tudo que ele faz conforme ordena a Lei. Ele não conta nenhuma mentira, mas confia absolutamente no poder da sua prática para garantir a salvação. Assim, dispensa a graça de Deus, pois se a Lei é capaz de salvar, a graça não lhe é necessária. Ainda se dá ao luxo de desprezar os que não viviam como ele – ou porque não queriam ou porque não conseguiam: “Ó Deus, eu Lhe agradeço, porque não sou como os outros homens que são ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse cobrador de impostos”.

O publicano também não mente quando reza. Longe do altar, nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito em sinal de arrependimento e dizia: “Meu Deus, tenha piedade de mim que sou pecador“. Era verdade mesmo, porque ele era vigarista, ladrão, opressor do seu povo, traidor da sua raça. Ele tem consciência disso, e não só disso, mas do fato de que, por ele mesmo, é incapaz de mudar a sua situação moral. A sua única esperança é jogar-se diante da misericórdia divina.

Para o espanto de Seus ouvintes, Jesus afirma que o desprezado publicano voltou para a casa “justificado” por Deus, pois é Deus quem nos torna justos por pura gratuidade, e não em recompensa por termos observado as minúcias da Lei.

E como entrou o “farisaísmo” nas nossas tradições de espiritualidade! Como as nossas pregações reduziram a fé e o seguimento de Jesus a uma observância externa de uma lista de leis! Como reduzimos Deus a um mero “banqueiro” que, no fim da vida, faz as contas e nos dá o que nós “merecemos” segundo uma “teologia de retribuição”! Mas e a graça de Deus? E a cruz de Cristo?

Paulo mudou de vida quando descobriu que a Lei – por tão importante que fosse como “pedagoga” – não era capaz de salvar, porque  é Deus quem nos salva, por meio de Jesus Cristo, sem que tenhamos nenhum mérito. Com esta descoberta, Paulo se libertou. Ele defendia esse seu “Evangelho” a ferro e fogo!

O texto de hoje nos convida a examinar até que ponto deixamos o “farisaísmo” entrar em nossa vida; até que ponto confiamos em nós mesmos como agentes da nossa salvação; até que ponto nos damos o direito de julgar os outros conforme os nossos critérios. É uma advertência saudável e oportuna que alerta contra uma mentalidade “elitista” e “excludente”, que pode insinuar-se na nossa espiritualidade, como fez na do fariseu, sem que tomemos consciência disso.

Portanto, esse Evangelho é transformador: ele vem nos ensinar que a nossa oração é um meio de comunicação eficaz com o Pai, mas só subirá aos céus se nascer de um coração humilde, simples e puro. Se quisermos ser justificados e elevados diante de Deus, precisamos diminuir para que Ele cresça em nós.

“Meu Deus, é preciso que eu diminua e que Cristo cresça em mim. Dê-me um coração puro e humilde. Assim como aquele cobrador de impostos clamou ao Senhor, eu também Lhe peço agora: ‘tende piedade de mim, que sou pecador!'”

Padre Bantu Mendonça

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