14 mar 2012

A Lei de Deus visa a nossa santificação

Para Jesus a lei moral é obra da sabedoria divina. Por isso, podemos defini-la – em sentido bíblico – como uma instrução paterna, uma pedagogia de Deus. Ela descreve ao homem os caminhos, as regras de procedimento que o levam à bem-aventurança prometida pelo Senhor e lhe proíbe os caminhos do mal que o desviam de Deus e do Seu amor. Ao mesmo tempo, firme nos Seus preceitos e amável nas Suas promessas, eis a razão do porquê Jesus diz: “O céu e a terra passarão; porém, nada será tirado da Lei – nem a menor letra, nem qualquer acento”.

Portanto, a questão da obediência aos mandamentos divinos – ou tudo quanto Deus ordena – não visará à salvação, pois entra no campo da santificação, e não da justificação. Entender o papel da Lei como meio de salvação seria um uso “ilegítimo” dela (cf. 1Timóteo 1,8).

O fracasso espiritual de Israel, que motivou sua rejeição como propriedade de Deus, não estava na Lei que é perfeita, santa, justa, boa, espiritual e prazerosa (Salmo 19,7; Romanos 7,12.14. 22), mas na atitude de autoconfiança do povo quanto às suas possibilidades de obedecê-la plenamente. Por isso é que Jesus, dirigindo-se ao povo, diz : “Não pensem que eu vim para acabar com a Lei de Moisés ou com os ensinamentos dos Profetas. Não vim para acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo“. Assim, Ele ressaltou os princípios básicos da Lei divina como sendo “amor a Deus sobre todas as coisas” e “amor ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22,36-40).

Com pouca margem de erro, eu diria que há preceitos de caráter cerimonial, civil e moral na Lei divina, independentemente de ocorrer tal linguagem “técnica” nas páginas bíblicas, fato reconhecido por confissões de fé e autoridades cristãs de diferentes confissões do passado e do presente. Em toda a Lei está a defesa da vida que, afinal, é um dom de Deus.

No “Sermão da Montanha” (Mateus 5 a 7), bem como no “diálogo com o jovem rico” (Mateus 19,16ss), Cristo, ao tratar do verdadeiro espírito da Lei, nos lembra que Deus leva em conta não só a mera obediência a Seu texto, mas as reais e íntimas intenções do indivíduo quanto a tal obediência.

Nenhum dos mandamentos da Lei de Deus têm aplicação limitada a Israel. O próprio princípio do sábado foi estendido aos “filhos dos estrangeiros” (Isaías 56,2-8), e todas as pessoas de todas as nacionalidades têm necessidade de um dia regular de repouso, daí por que “o sábado foi feito por causa do homem” (Marcos 2,27).

No novo concerto, os princípios básicos da Lei divina são escritos por Deus nos corações e mentes dos Seus filhos – judeus ou gentios – nos moldes do que havia sido prometido ao antigo Israel em Ezequiel 36,26-27 e Jeremias 31,31-33.

Nos debates de Cristo com os escribas e fariseus sobre o sábado, o Senhor está corrigindo a prática extremada e insensível deles no que se refere ao Decálogo [dez mandamentos], mas não combatendo uma norma estabelecida por Ele próprio como Criador e Legislador (ver Mateus 12,1-12; Heb 1,2).

João, em Apocalipse 1,10 refere-se ao “Dia do Senhor” – que para nós católicos é o domingo – como sendo um dia especial dedicado a Deus. Portanto, Ele mantinha um dia especial de observância, como estabelecido no 3º mandamento da Lei de Deus: santificar os domingos e festas de guarda.

Padre Bantu Mendonça

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