05 Sep 2011

A hipocrisia nos afasta do caminho do bem e da vida

A hipocrisia é a atitude do sistema religioso representado pelos escribas e fariseus, os quais se fecham em seu prestígio e poder, julgando-se justos e desprezando o povo humilde.

Jesus os [escribas e fariseus] critica severamente porque eles desprezavam os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. A hipocrisia destes com relação à religiosidade era algo que não conseguiam disfarçar, não obstante sua falsa aparência de santos.

Eles se “fechavam” para não perder prestígio e poder. Julgando-se justos e perfeitos desprezavam o povo humilde e excluído da sociedade. Jesus – que enxerga além das aparências daqueles falsos santos – denuncia toda a falsidade deles.

Por outro lado, o Senhor, no estilo profético, contradiz a religião da Lei que oprime e humilha o povo com suas inumeráveis observâncias, favorecendo aqueles que subjugavam o povo em nome de Deus. E esses mandatários ou representantes da elite religiosa procuravam manter as aparências, porém, lhes faltava o essencial, que é a acolhida da pessoa de Jesus, e o Seu plano de salvação com Seu amor misericordioso, libertador e vivificante.

Jesus é duro em Suas advertências chegando a chamá-los de cegos e de hipócritas que limpam o exterior dos seus corpos enquanto que, por dentro, permaneciam sujos pelos pecados.

Cristo penetra no coração dos homens e, com muita sabedoria e propriedade, denuncia o que há de escondido por debaixo das aparências. Assim como Ele falava aos mestres da Lei e aos fariseus, chamando-os de “hipócritas”, Ele também poderá dirigir-se a qualquer um de nós que nos enaltecemos em vista das nossas “boas ações”, sempre que as fizermos para aparecer.

Nós também – como os antigos, – podemos pagar o dízimo de todos nossos proventos e até promover o bem comum, no entanto, ao mesmo tempo, agir como “guias cegos” se nossas atitudes não estiverem edificando a ninguém. Se estivermos fazendo o bem apenas para “aparecer” e “chamar a atenção” estão nos faltando os ensinamentos mais importantes, que são a justiça, a misericórdia e a fidelidade.

Isso acontece quando aproveitamos os momentos em que todos tomam conhecimento das nossas boas obras em campanhas que têm como objetivo somente a nossa promoção pessoal. Os que se preocupam com isso são os fariseus hipócritas.

Que a semente e o veneno dos fariseus hipócritas – bem como o dos escribas – não caiam em nossos corações a ponto de, uma vez germinados, sufoquem, envenenem e matem a Boa Nova que recebemos de Jesus Cristo. Procuremos, pois, viver o que ensinamos, pregamos – e aparentamos somos! – diante da comunidade cristã. Pois não nos esqueçamos de que Deus, que vê tudo, um dia vai nos julgar.

A partir daqui é fundamental que tanto o nosso exterior quanto o interior apareçam sem manchas e não como os doutores da Lei, cujo exterior aparecia sem manchas, todavia, o seu interior estava cheio de maldade.

Jesus nos adverte enquanto há tempo num outro texto: “Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo”. Podemos enganar a todos, mas não enganamos a Deus, que sonda o nosso coração e conhece o que há de mais camuflado e falso dentro de nós.

A justiça, a misericórdia e a fidelidade, portanto, se constituem em atos concretos de amor. Somos chamados a fazer o bem, mas tudo com sentido e por amor.

Meu irmão, será que Jesus no Evangelho de hoje está dizendo alguma coisa para nós? Será que nós também julgamos os outros por fazer isso ou aquilo “no dia do domingo” sem nos perguntarmos por que o fazem? Ou será que procuramos manter uma aparência de santos, de quem observa todos os mandamentos de Jesus e tudo mais, porém, na realidade, não passamos de pecadores maiores que aqueles que, ao ver nossas aparências de justos, se sentem pequeninos em relação a nós?

Entrando em uma sinagoga, Jesus depara com um homem de mão atrofiada, recuado, sentado no chão, marginalizado e excluído. Sabe que os chefes religiosos, escribas e fariseus O observam e querem condená-Lo. Não se intimida e, ostensivamente, toma a iniciativa provocadora. Diz àquele homem marginalizado que se levante e o chama para o lugar central. Jesus opta pelo caminho do bem e da vida e liberta o homem de seu defeito excludente. Os chefes religiosos optam pelo caminho da morte ao planejar como eliminar o Senhor, por isso, ficam muito furiosos.

Pai, abre minha mente para compreender Sua santa vontade a fim de conformar minha vida com ela. E livra-me de qualquer tipo de preconceito, sobretudo, o da hipocrisia.

Padre Bantu Mendonça


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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