06 fev 2012

A cura também é fruto da acolhida e da compaixão

Depois dos discípulos terem acolhido o convite do Mestre, abandonaram a casa de Simão e partiram para outras regiões da redondeza. E, no Evangelho de hoje, vemos os discípulos fazendo a travessia do mar da Galileia com seu próprio barco e desembarcando em Genesaré. E logo o povo reconhece a Jesus.

O povo vai “em massa” atrás de Cristo. Eles vêm de todos os lados, carregando seus doentes e buscando ajuda. O que chama a atenção é o entusiasmo do povo que reconhece Jesus e vai atrás d’Ele. O que move essas pessoas nesta busca ao Senhor não é somente o desejo de se encontrarem com Ele, de estarem com Ele, mas também o desejo de obterem a cura das suas doenças e a solução de seus problemas.

A salvação é dirigida a essa multidão formada por gentios e judeus marginalizados. São os moradores dos povoados, cidades e campos por onde Jesus andava com Seus discípulos. O Messias realiza a Sua missão, sobretudo, entre as camadas mais sofredoras e abandonadas do povo, constituindo-se, assim, na única esperança dessa gente.

O enfoque é a presença física e libertadora de Jesus. As curas são conseguidas com o toque, ao menos na franja do manto d’Ele. A doença generalizada é fruto das barreiras e exclusão. A cura resulta da libertação da exclusão e é fruto da acolhida.

Assim como, fisicamente, o pão foi partilhado, o mesmo vale para o corpo. A comunicação não se faz apenas pela palavra. Faz-se também pela partilha do corpo. A presença física, o toque, o abraço, o sorriso acolhedor, o olhar compreensivo e atento e a compaixão complementam a força comunicadora da Palavra que liberta.

Desde o começo da Sua atividade missionária, Jesus anda por todos os povoados da Galileia para falar ao povo sobre o Reino de Deus, que estava chegando (cf. Mc 1,14-15). Onde encontra gente para escutá-Lo, Ele fala e transmite a Boa Nova de Deus, acolhe e cura os doentes, em qualquer lugar: nas sinagogas durante a celebração da Palavra aos sábados (cf. Mc 1,21; 3,1; 6,2); em reuniões informais na casa de amigos (cf. Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10); andando pelo caminho com os discípulos (cf. Mc 2,23); ao longo do mar na praia, sentado num barco (cf. Mc 4,1); no deserto para onde se refugiou e onde o povo O procurava (cf. Mc 1,45; 6,32-34); na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (cf. Mt 5,1); nas praças das aldeias e cidades, onde povo carregava seus doentes (cf. Mc 6,55-56); no Templo de Jerusalém, por ocasião das romarias, diariamente, sem medo (cf. Mc 14,49).

Curar e ensinar, ensinar e curar era o que Jesus mais fazia (cf. Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume d’Ele (cf. Mc 10,1). O povo ficava admirado (cf. Mc 12,37; 1,22.27; 11,18) e O procurava em grande número.

Na raiz desse grande entusiasmo do povo estavam, de um lado, o próprio Cristo, que chamava e atraía e, de outro lado, o abandono do povo, que era como “ovelha sem pastor” (cf. Mc 6,34). Em Jesus, tudo era revelação daquilo que O animava por dentro. Ele não só falava sobre Deus, mas também O revelava. Comunicava algo que Ele mesmo vivia e experimentava.

O Senhor não somente anunciava a Boa Nova do Reino, Ele mesmo era uma amostra, um testemunho vivo do Reino. N’Ele aparecia aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar e tomar conta de sua vida. O que vale não são só as palavras, mas também e, sobretudo, o testemunho, o gesto concreto.

Pela fé, todos nós esperamos e sonhamos com o Reino de Deus, como um novo tempo, onde não haverá mais dor nem lágrimas. Ao curar muitas pessoas, Jesus mostra que Deus Pai reprova tudo o que faz o ser humano sofrer. Mergulhemos na certeza de que a nossa missão é seguir os passos do Mestre para construir este “novo tempo” entre nós.

Padre Bantu Mendonça

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