13 fev 2011

A correta compreensão da Lei de Deus

Mateus, no seu evangelho, apresenta às suas comunidades oriundas do judaísmo Jesus como sendo aquele que vem atender às expectativas suscitadas pelo Primeiro Testamento.

Jesus, no Evangelho de hoje, diz que não veio para destruir a Lei antiga, referindo-se aos dez mandamentos recebidos por Moisés, mas para ensinar a cumpri-las plenamente. O que Ele pretende é restaurar, aperfeiçoar as ordens estabelecidas ao povo de Israel. O Primeiro Testamento prometia o Reino de Deus que traria bem-estar, prosperidade e felicidade para todos e o cumprimento fiel da Lei contida nas Escrituras era a forma de se conquistar estas promessas.

Naquele tempo os escribas eram os doutores intelectuais, que se julgavam donos do saber e, portanto, aptos a interpretar as Escrituras para os outros, criticando os que a descumpriam segundo as suas próprias interpretações e incluindo Jesus nas suas críticas. Como pessoas esclarecidas, os escribas sabiam muito bem o que se devia fazer, mas não o faziam e nem sempre ensinavam aos outros o que Deus pedia, criando uma burocracia que escravizava e controlando duramente a população.

Jesus ensina que não veio abolir as leis, e sim ensinar como elas deveriam ser realmente compreendidas e praticadas, ensinando, dessa forma um novo jeito de viver a liberdade e a justiça, não simplesmente observando o teor burocrático e imperativo. Para falar sobre a forma como isto se dá, Jesus retoma algumas exigências da lei, procurando esclarecer que as normas e regras devem servir de inspiração para a justiça e misericórdia, a fim de que o homem tenha vida e relações mais fraternas. Ele mostra que, para praticar a lei é necessário antes de qualquer coisa, compreendê-la, buscar nela o discernimento que faz enxergar profundamente as situações, possibilitando desta forma transformá-la em uma ação que liberta, tirando dela o conceito de escravidão.

Mateus apresenta no Evangelho alguns exemplos que evidenciam como a lei deve ser entendida. O ato de matar, por exemplo, começa pelo ressentimento e pela raiva. É preciso cortá-lo pela raiz, resolvendo dessa forma o ódio que pode levar às situações extremas. Além deste discernimento capaz de ditar atos novos em situações de ofensa à lei, Jesus pede a verdade sempre. A necessidade de juramento é sinal de que a mentira e a desconfiança pervertem as relações humanas. Jesus exige relacionamentos em que as pessoas sejam verdadeiras e responsáveis, esta é condição para a prática da justiça e da misericórdia, capaz de conduzir o homem ao Reino prometido por Deus. Os ensinamentos de Jesus levam o cristão a um novo jeito de se relacionar com Deus, não com atos de barganha, onde se faz aqui para ganhar ali, mas com espírito livre, que age por amor a Deus e ao próximo, seguindo as orientações de Jesus que diz que, se se cumprir o primeiro mandamento, os outros serão cumpridos por consequência.

O ponto de referência para as obras que conduzem ao Amor do Pai, é a própria Bíblia sintetizada nos mandamentos que nascem na prática de Jesus e de seus seguidores que são convocados à pratica da justiça que conduz à vida. A única forma de encontrar Deus e prestar-lhe culto é criar relações de justiça que geram fraternidade e vida para todos.

Pai, guiado pelos ensinamentos de Jesus, revela-me teu querer divino, livrando-me de dar-me por satisfeito com a observância superficial dos teus mandamentos.

Padre Bantu Mendonça

Fonte: Retirado do Blog do padre Bantu


Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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