04 Sep 2012

A Casa de Deus está aberta a todos os homens

Como bom judeu, num dia de sábado, Jesus entra na sinagoga de Cafarnaum e começa a ensinar os Seus discípulos, os quais, por falta de conhecimento científico, atribuíam aos demônios algumas enfermidades. Tal fenômeno acontecia, sobretudo, com os transtornos psíquicos, as enfermidades mentais, nas quais o modo de agir do enfermo – gritos, falta de controle dos movimentos, ataques – era o que mais chamava a atenção.

É neste ambiente que surge o homem que Lucas nos descreve como sendo possuído por demônio e que, levantando a voz, grita: “Ei, Jesus de Nazaré! O que você quer de nós? Você veio para nos destruir? Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou!”.

A palavra “louco” era o equivalente a dizer “endemoniado”. Passando a ser o mesmo que dizer “impuro”, ou seja, possuído pelo diabo.

O impuro é o que está carregado de forças perigosas e desconhecidas, como o puro é o que tem poderes positivos. Quem se aproxima do impuro não pode se aproximar de Deus. Por isso todos fugiam deste homem segundo a lei latente no livro do Levítico.

À medida em que o povo foi evoluindo de uma religião mágica para uma religião de responsabilidades pessoais, essas ideias foram caindo em desuso. Jesus, então, abole esta lei de uma vez por todas. E o que prova isto é que a cerimônia do exorcismo acontece, dentro da sinagoga, para fazer entender que também o excluído do povo tem o direito de se salvar, porque é filho de Deus. Também pode participar da mesa dos filhos e falar com Deus na oração; é membro do corpo místico de Cristo, é membro da Igreja.

O fato de a cena acontecer no interior da sinagoga é que, nela, reunia-se todo o povo aos sábados para assistir à oração e escutar o rabino, ou qualquer outro que quisesse fazer o comentário dos textos da Escritura que se havia lido. Era um lugar familiar, mais popular e mais leigo, já que, nela, se podia falar livremente, interromper, e não era necessário a presença de nenhum ministro sagrado. O rabino era um mestre-catequista.

Jesus aproveita esta familiaridade para incluir o irmão por meio da expulsão do demônio: “Cale a boca e saia deste homem!” Diante de todos, o demônio obedece e sai.

Sem querer chegar ao conceito “puro-impuro” dos tempos antigos, muitos enfermos do tipo subnormais, drogados, adúlteros, alcoólatras etc, estão marginalizados da comunidade. Os sadios se safam deles, querem escondê-los como uma vergonha familiar, não lhes dão oportunidades de reabilitação para que possam contribuir para a sociedade. São verdadeiramente os “novos impuros”.

Qual tem sido a sua posição ante o seu parente que vive esta situação? Não se esqueça de que o sinal de Jesus, neste Evangelho de hoje, é sinal de que a casa de Deus, a comunidade cristã, está aberta também para esses homens e mulheres diminuídos, é sinal de salvação. Deus valoriza e tem para eles um lugar e uma missão. Basta que você lance “mão à obra” e se converta em verdadeiro discípulo e missionário de Jesus Cristo. A notícia de Jesus se espalhará por toda a parte, fazendo com que haja um só Pastor e um só rebanho no mundo inteiro.

Padre Bantu Mendonça


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