12 fev 2016

Jejum, prática de conversão e aproximação de Deus

Nós fazemos jejum para nossa conversão interior, para disciplinarmos nosso corpo e vontade

“Acaso o jejum que prefiro não é outro: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição?” (Is 58, 6)

Um dos elementos fundamentais para vivermos bem a nossa religião, sobretudo as práticas quaresmais, é a vivência do jejum. Há diversas formas de se jejuar, mas o jejum é um elemento religioso que não pode ser ignorado, esquecido ou visto como passado e ultrapassado.

Jejum é vida, é algo místico, faz parte dos preceitos religiosos mais sagrados. É óbvio que ninguém pode viver o jejum no espírito da lei, ninguém pode ver o jejum como se fosse uma competição: “Fiquei tantas horas sem comer!” ou “Eu faço jejum e fico o dia inteiro sem comer nada!”, “Eu só tomo água” ou “Eu só como tal hora”.

Ninguém faz jejum para mostrar ao outro ou provar algo a alguém. Ninguém faz jejum para ficar mais magro ou para ganhar mais saúde, ainda que o jejum tenha seus frutos até para nossa própria saúde. Nós jejuamos para nossa conversão interior, parra disciplinarmos nosso corpo e vontade. Nós fazemos jejum para cultuar a Deus e dizer que Ele é o primeiro em nossa vida. Nós jejuamos, porque isso nos aproxima do Senhor.

Cuidemos para que o jejum não nos torne mais orgulhosos, para que não nos faça melhores que os outros: “Eu jejuo!”. Os fariseus tinham muito disso, jejuavam duas vezes por semana e se sentiam os mais justos e corretos, porque eram os únicos que observavam os preceitos.

O jejum é para quebrar o nosso orgulho e não para levantar a nossa vanglória; para romper com nossas vaidades e não nos tornar envaidecidos com nossas práticas religiosas. Por outro lado, não adianta também jejuarmos e, simplesmente, no dia de jejum, deixamos de comer, fazemos cara feia e demostramos para todo mundo que estamos jejuando.

Como diz a Palavra: “Por acaso é esse o jejum que me agrada?”. Que jejum é esse que nós não somos capazes de romper com cadeias? Que não nos dispomos a romper com as inimizades, com as coisas negativas? Que jejum é esse que não faz com que nos abramos ao perdão e à reconciliação? Há certos demônios que só se expulsam pela oração e pelo jejum. Se não estamos conseguindo romper com a falta de perdão, com rancor, ódio e ressentimento, precisamos, além de oração, aplicar o jejum, para vencermos certos espíritos que atormentam demais a nossa vida.

Deus abençoe você!

repensando-a-vida

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Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.

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